Agência EFE
SÃO PAULO - Após quatro anos afastado (a última passagem da banda pelo país havia se dado em 2004), o Iron Maiden voltou ao Brasil em grande estilo, com o show da turnê 'Somewhere Back in Time', apresentado no último domingo para mais de 40 mil pessoas no Estádio Parque Antarctica, em São Paulo, e que ainda passará por Curitiba e Porto Alegre.
Iniciada em fevereiro, na Índia, a turnê marca uma celebração do período célebre da banda na década de 80, época em que lançou alguns de seus principais trabalhos, como 'The Number of the Beast' (1982), "Piece of Mind' (1983) e 'Powerslave' (1984). Desta forma, o setlist preparado especialmente para a excursão foi feito com os maiores clássicos dos chamados 'golden years' (anos dourados) do conjunto, incluindo algumas canções que há temos não vinham sendo apresentadas ao vivo.
A primeira a pisar no palco na noite de domingo foi Lauren Harris (filha do baixista do Iron, Steve Harris), que em pouco menos de meia hora apresentou seu hard rock cheio de clichês, sem empolgar o público, já espalhado por grande parte do estádio.
Pontualmente às 20h, e com o local completamente lotado (os ingressos esgotaram em menos de um mês), as luzes se apagaram e o sistema de som começou a tocar a música 'Doctor Doctor', da banda inglesa UFO. Em seguida, o discurso do presidente inglês Winston Churchill introduziu a entrada da banda no palco com 'Aces High', música sobre uma batalha aérea da Segunda Guerra Mundial, enquanto imagens da Força Aérea britânica eram exibidas nos telões laterais.
O palco reproduzia a temática do álbum 'Powerslave', com motivos egípcios e pequenos muros ao estilo das antigas pirâmides, pelos quais se movimentava o irriquieto vocalista Bruce Dickinson.
Na seqüência, 'Two Minutes to Midnight' manteve o ritmo em alta, com seu tradicional refrão cantado em uníssono.
A banda se mantém com a mesma formação reunida a partir do álbum "Brave New World', de 2000, com três guitarristas (Dave Murray, Janick Gers e Adrian Smith), Harris no baixo e Nicko McBrain na bateria, além de Dickinson nos vocais.
- Essa é uma turnê comemorativa. Esta noite vamos tocar músicas que não tocávamos há muito tempo - disse Dickinson, ao introduzir "Revelations', do álbum 'Piece of Mind', um dos raros momentos de descanso da noite.
- Nós tocamos no Brasil pela primeira vez há mais de 20 anos. Nunca imaginamos que voltaríamos tantas vezes, sempre para audiências maiores e melhores. Em 1985, quando viemos para o Rock in Rio, começamos uma relação de amor com vocês - falou o vocalista, antes de tocar 'Wasted Years', outro clássico da banda há muito de fora dos setlists, e que causou comoção entre os presentes.
Embora toda a banda se movimentasse intensamente, quem comandou as ações em cima do palco foi mesmo Bruce Dickinson. Com vigor impressionante para alguém com quase 50 anos (tem 49), o vocalista correu e pulou o tempo todo, sem nunca deixar de interagir com o público.
Para complementar o caráter de espetáculo da noite, o frontman também lançou mão de um vasto figurino: em 'The Trooper' (canção sobre uma batalha da Guerra da Criméia), se vestiu de soldado, empunhando duas bandeiras inglesas esfarrapadas, ao tempo que na épica 'Rime of the Ancient Mariner' vestiu uma sombria capa negra, com a qual permaneceu ao longo dos quase 15 minutos de música.
Tocada na seqüência, 'Powerslave' foi executada com o vocalista vestindo uma máscara ritualística, mas teve sua execução prejudicada por oscilações no sistema de som, que tiraram parte do peso de seu baixo galopante. Em 'Heaven Can Wait', o palco foi 'invadido' por fãs que venceram uma promoção de uma rádio paulistana, e puderam cantar com a banda o coro final da música.
Única exceção em meio a um setlist composto basicamente por canções da fase oitentista da banda, 'Fear of the Dark' (do álbum homônimo, de 1992) provou logo aos primeiros acordes o porquê de ter sido selecionada. Saudada efusivamente pelos fãs, a música teve cantadas todas as suas partes, até mesmo as instrumentais, em uma "performance' do público que deixou os músicos visivelmente emocionados.
A primeira parte da apresentação foi encerrada com a clássica "Iron Maiden' (canção do primeiro álbum da banda, 'Iron Maiden', de 1980, e gravada originalmente pelo antigo vocalista Paul Di'anno), e obrigatória nos concertos da banda.
Mantendo a tradição do conjunto, a música marcou a aparição no palco do gigantesco mascote Eddie (em versão idêntica à arte do álbum 'Somewhere in Time', de 1986), que protagonizou um cômico 'duelo' com o guitarrista Janick Gers.
Antes do início do bis, Dickinson aproveitou para confirmar os boatos de que a banda voltaria ao país para novos shows no início de 2009.
- Nós sabemos que muitos não conseguiram comprar ingressos para estar aqui hoje. Mas nós temos um show ainda maior do que esse, com fogos de artifícios, explosões e mais luzes; e nós estaremos de volta ao Brasil no ano que vem para apresentar esse show para vocês - disse, para o delírio do público.
Após apresentar a banda (e propositadamente 'esquecer' o baterista Nicko McBrain, que imediatamente teve seu nome pedido em coro pela platéia), o cantor brincou com o guitarrista Dave Murray antes de iniciar 'Moonchild'.
- Scream for me São Paulo' ("Grite para mim, São Paulo") - pediu o vocalista, em um grito que já se tornou uma de suas marcas registradas, antes de dar prosseguimento ao bis com 'The Clairvoyant' e 'Hallowed be thy Name', outra das preferidas dos fãs, e que marcou o encerramento do show.
Ao fim, após efusivos agradecimentos por parte da banda, as luzes do estádio permaneceram apagadas, criando expectativa no público quanto a um possível retorno para um segundo bis. Poucos minutos depois, o sistema de som começou a tocar 'Always Look On The Bright Side of Life', do grupo humorístico inglês Monty Python, jogando um balde de água fria no público, que se encaminhou ordeiramente para a saída do estádio. Mas ao fim, todos pareciam duplamente satisfeitos: com a oportunidade de poder presenciar os ídolos em uma performance histórica, e com a esperança de poder revê-los em breve.