Angélica Paulo, JB Online
RIO - Em 11 de setembro de 2001 o mundo assistia, horrorizado, a um dos maiores atentados terroristas de todos os tempos: o ataque às torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, nos EUA. A pergunta que todos se faziam, no momento em que aviões chocavam-se contra um dos maiores símbolos da soberania norte-americana era: quem poderia ter orquestrado tamanho horror? Várias tentativas de resposta foram feitas ao longo dos anos. Uma delas talvez a mais didática poderá ser conferida a partir desta sexta-feira nos cinemas de todo o Brasil.
Dirigido por Mike Nichols ( A primeira noite de um homem e Closer Perto demais ) e baseado no livro do jornalista George Crile, o longa Jogos do Poder ( Charlie Wilson's War EUA / 2007) conta a história do congressista do estado americano do Texas Charlie Wilson que, nos anos 80, em plena Guerra Fria, resolveu apoiar os lendários guerreiros afegãos, conhecidos como Mujahideen, levantando uma verba de US$ 1 bilhão em armas para que pudessem expulsar os russos de seu território.
Encabeçando a lista de nomes de peso do elenco, Tom Hanks interpreta Charles Wilson, que vive em função dos favores que presta a diversos colegas, colecionando assim uma rede de amigos influentes com os quais pode contar.
Depois de uma visita ao Paquistão, sugerida pela milionária filantropa Joanne Herring, vivida por uma oxigenada Julia Roberts, Wilson toma conhecimento da situação dos campos de refugiados afegãos, expulsos de seu país depois da chegada dos russos. Penalizado pela situação daquelas pessoas, o congressista cria uma força-tarefa, contando com o apoio do agente da CIA Gus Avrakotos, interpretado por Phillip Seymour Hoffman, que dará a base militar para os planos de Wilson.
Com diálogos afiados, graças ao roteiro bem amarrado de Aaron Sorkin, a trama segue os passos de Charlie junto a diversas personalidades, tanto da esfera política quanto da espionagem norte-americana.
Com seu jeito de bom moço, Tom Hanks faz de Wilson um sujeito bonachão e charmoso, mesmo em situações que poderiam desaprová-lo, como o uso de cocaína durante um jantar, amplamente divulgado pela mídia. Fica difícil crer que o político era, realmente, tão bonzinho quanto a interpretação de Hanks faz parecer.
Julia Roberts interpreta de maneira técnica a socialite que, através do corpo, obtém os favores do político. Mesmo passando longe de suas atuações mais brilhantes, a atriz convence no papel de Joanne.
Quem realmente dá um show de interpretação daí sua indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante é Phillip Seymour Hoffman, que deixa os maneirismos e a afetação de lado e dá vida a um agente da CIA sarcástico e sincero ao extremo. Vale ressaltar uma das melhores cenas do filme, quando Avrakotos visita o congressista pela primeira vez.
Ao fim de quase 100 minutos de projeção, em que os nove anos de ocupação russa no Afeganistão são resgatados de maneira enxuta e bem amarrada, Wilson volta ao Congresso para tentar levantar US$ 1 milhão para a construção de uma escola no país e é solenemente ignorado por seus colegas.
O resultado de tal atitude resultou no surgimento da Al-Qaeda de Osama Bin Laden. O restante, todo o mundo conhece... e lamenta.