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Belas músicas e fantasias no Baile de Carnaval da Orquestra Imperial

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Leandro Souto Maior, JB Online

RIO - Em três de suas mais recentes apresentações, a Orquestra Imperial fez um show diferente. Bem diferente. Ainda final no ano passado, em novembro, toparam o desafio de Nelson Motta para montar um repertório só com músicas de Tim Maia. Como que uma Vitória Régia do século XXI, a sonoridade da big band caiu perfeitamente no repertório do síndico. Um pouco antes, em setembro, fizeram, no Canecão, o show da turnê de lançamento do CD Carnaval só ano que vem . Desta vez nada de Tim Maia e pouco de qualquer compositor fora do time da Orquestra. O repertório de inéditas do CD é uma das mais originais reuniões de composições inéditas da nova geração.

Na noite chuvosa deste sábado, dia 19, apresentaram ao público carioca mais um show diferente. Na mistura pré-carnavalesca estavam principalmente marchinhas, e também muito samba, só que com aquela 'pegada' roqueira do grupo, que conta com três bons guitarristas. O público não se amedrontou com a chuva que caiu sobre a cidade e compareceu para conferir o primeiro e provavelmente único dos já tradicionais e esperados bailes de Carnaval do ano da Orquestra Imperial.

Antes de entrar na Cabeleira do Zezé e nos 'pierrots' e 'colombinas', o grupo começou mesclando músicas do CD com clássicos do samba, como Sem compromisso , que abriu o show. Nesta primeira parte, destaque para a hilária Ereção , composição conjunta de vários integrantes do grupo (escolhida na mais recente edição da revista Rolling Stone como uma das 10 melhores canções do ano) e cantada por Max Sette com o público - que mostrou já conhecer a divertida letra.

A preparação para entrar no repertório de Carnaval foi feita de maneira inusitada, com uma surpreendente versão em samba para o clássico do rock Stairway to heaven , do grupo Led Zeppelin. Foi uma das mais aplaudidas. A partir daí, o show virou a tão esperada festa. Marchinhas e sambinhas, ensaiados e improvisados na hora, eram a deixa para receber convidados especiais, como Jorge Mautner - que entrou cantando seu Maracatu atômico e Gabriel Thomaz (Autoramas) - que emendou um repertório de clássicos da Jovem Guarda em ritmo carnavalesco.

Quem ainda não conhecia a longa duração dos bailes de Carnaval da banda pode ter achado que a quase interminável apresentação de dois longos sets era para compensar o caro preço dos ingressos (R$ 80). Além de generoso, o show causou uma ótima primeira impressão, que deixo para comentar aqui no fim do texto porque certamente marcou quem estava lá para conferir. Tratava-se de um baile a fantasia. Poucas pessoas na platéia compraram a idéia, apesar de algumas fantasias estarem realmente criativas, como uma garota que estava vestida de 'viúva' e um rapaz fantasiado de Robin Hood. Mas nada se comparou ao impacto das fantasias dos integrantes da big band. Cada um dos 18 membros do conjunto (o 'hermano' Rodrigo Amarante não compareceu, mas foi bem substituído por uma boneca inflável, que participou tanto do show quanto qualquer um dos músicos) estava hilariamente caracterizado.

O chamativo impacto visual aliado a um repertório de primeira, executado por uma safra dos melhores músicos da nova geração (com o auxílio luxuoso de mestres como Wilson das Neves e Nelson Jacobina), conferem à Orquestra Imperial os merecidos elogios que vem conquistando, na imprensa e na própria juventude, o que realmente importa. Apesar de longo, ainda assim o show do grupo deixou aquele saboroso gostinho de 'quero mais' e a apreensão e curiosidade para saber com qual repertório virão em sua próxima apresentação nos palcos cariocas.