Simuladores de vinis: a união entre tecnologia e sofisticação

Hugo Cals, Agência JB

RIO - Cada vez mais populares, os arquivos digitais de música são hoje uma realidade. Grande lojas virtuais, como a famosa iTunes Store , da Apple e a gigante Amazon.com , ambas norte-americanas, hoje já possuem notáveis margens de lucro. O iPod, aparelho pioneiro de música digital portátil, tornou-se um fenômeno mundial e hoje já conta com muitos concorrentes. Aos poucos, esta nova forma de se vender e ouvir música consolidou seu espaço no mercado e o até então moderno CD tornou-se obsoleto.

Com a grande popularidade conquistada nos anos 90, o CD tornou-se a mídia preferida de muitos DJs que atuam em casa noturnas. Através de CD-players especiais chamados CDs-J, estes profissionais da música conseguem interferir na rotação das músicas e misturar os canais (eles utilizam 2 CDs-J sempre) para mixar o som dando a impressão ao ouvinte que a música não pára. Apesar de sua grande aceitação, ainda existem aqueles que optem pelo charme retrô dos discos de vinil. Mas, como um bom DJ precisa manter-se atualizado, é muito caro para um profissional importar vinis regularmente e fica inviável para muitos optar por este tipo de mídia.

No entanto, no panorama atual, uma solução digital surge para aqueles que desejam integrar a modernidade dos arquivos digitais a sofisticação dos vinis, sem precisar gastar excessivamente com constantes importações. Portanto não estranhe se você for a uma casa noturna e ver algum DJ operando simultaneamente um laptop e duas pick-ups de vinil: ele está usando um simulador de vinil. Através destes modernos equipamentos, é possível discotecar com o computador. Apesar da pouca popularidade, o Final Scratch, programa pioneiro neste meio, foi apresentado pela primeira vez em uma feira de informática em 1998.

O sistema funciona da seguinte maneira: o DJ carrega no programa arquivos digitais de música que por sua vez transmite para as pick-ups de vinil o som para que assim o profissional possa trabalhar à moda antiga , isto é, girando os bolachões e criando sons inusitados. Com esta tecnologia, é possível obter a mesma resposta dos vinis antigos (que possuem grande qualidade sonora). A grande vantagem de tecnologias como o Final Scratch é que ela utiliza apenas dois únicos vinis (que contêm apenas informação digital chamada timecode) que tocam a música correspondente do programa no computador. Como o acetato, material que dá origem ao vinil custa muito caro, esta opção é muito mais econômica (e moderna) do que as pick-ups tradicionais que reproduzem vinis convencionais. A compra legal de música digital é infinitamente mais barata do que o preço médio do vinil.

A fidelidade é surpreendente: ouvir algum DJ tocando com esta tecnologia impressiona até mesmo aqueles avesso à novas mídias. Além disso, o profissional que opta por este equipamento (é preciso também adquirir um placa de som externa, chamada Scratch Amp) ganha muito mais mobilidade: ele não precisa mais carregar mochilas com vinis e cds; ele só precisa de um laptop equipado com um hd espaçoso. O programa também oferece um recurso de gravação, o que permite que os DJs criem remixes de músicas e registros sonoros de suas apresentações. Funções técnicas permitem que músicas sejam tocadas mais rápidas ou mais devagar preservando sua entonação, isto é, o vocal da música não é afetado.

Segundo o DJ residente das boates Bunker e Pátio Lounge, DJ Tucho Cordeiro, que adquiriu o equipamento recentemente a vantagem é enorme. Apesar de ainda tocar bastante com CDs convencionais o DJ só tem elogios ao Final Scratch:

- A praticidade de se tocar com laptop é enorme. Meu repertório fica muito mais organizado e não preciso mais me preocupar com CDs arranhados, que pulam e quebram o ritmo da pista. Com o Final Scratch, uso MP3 sem abandonar o charme do vinil disse.