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Clássico de Dostoievski encerra temporada no CCBB

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Agência JB

RIO - Sucesso de crítica e público, 'Os Demônios', adaptação de Antonio Abujamra para o romance de Dostoievski, encerra temporada nesse domingo no Teatro 2 do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Com ingressos a preços populares, a montagem reúne 21 atores no palco, que representam três gerações de atores formados nos palcos de Brasília. A bela orquestração da montagem cabe ao próprio Abujamra em parceria com o amigo de quase 30 anos Hugo Rodas, diretor uruguaio-brasiliense.

'Os Demônios' mostra uma trama atual, mas que foi criada no distante ano de 1870, quando Dostoievski narra a tentativa fracassada de um golpe de Estado. "Começaremos por lançar a perturbação: mais incêndios, mais atentados, o descrédito de tudo", é uma das ditas pelo personagem Piotr Verkovensky, o líder revolucionário da obra Os Demônios.

A obra tem instigado os intelectuais ao longo das décadas. Muito já foi escrito sobre ela. Apontado como "o romance da crise", 'Os Demônios' é inspirado em fatos reais: a tentativa fracassada de revolução, liderada pelo jovem Nietchaiev e pelo anarquista Bakunin, em 1869. A partir deste acontecimento, o grande escritor russo criou uma obra visionária, na qual se misturam diálogos políticos e questionamentos místicos. Assumidamente católico, Dostoievski enxergava, na falta de fé e de preceitos morais, a presença do mal na sociedade. Para ele, um homem descrente não vê limites. "Se Deus não existe, eu sou livre e tudo é permitido", diz o autor pela boca do personagem Kirilov.

Na peça estão alguns dos mais complexos e elaborados personagens da lavra de Dostoievski, como o jovem Nicolas Stavroguine (para quem romper os limites é entregar-se à mais vil libertinagem e à mais profunda solidão), o idealista Chatov (uma espécie de síntese da religiosidade do autor), o ardiloso e despótico Piotr Verkovensky (para quem é preciso destruir tudo), o suicida Kirilov ( eu me recuso a inventar Deus ), a altiva Bárbara (aristocrata acostumada a comandar os destinos da família), a trágica Maia Timpheievna (deficiente física e mental espancada pelo irmão) e tantos outros tipos que se unem numa saga que coloca em foco idéias políticas, morais, filosóficas, religiosas.

O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) fica na Rua Primeiro de Março, 66. Centro do Rio. De quinta a domingo às 19h. Sábado, sessão extra às 16h.