Agência ANSA
PARIS - Com uma grande festa na mansão parisiense do século XVII de Karl Lagerfeld, organizada pela marca de champanhe Dom Perignon, foi encerrada ontem, mesmo que não oficialmente, visto que hoje ainda estão programados alguns desfiles, o evento de alta costura da França.
Nos amplos salões e no jardim do diretor criativo da Chanel, estavam presentes muitas estrelas e personalidades da moda, como a top model Claudia Schiffer, estrela da grande campanha publicitária da marca de champanhe feita pelo próprio Lagerfeld, o ator Jude Law, o cineasta Pedro Almodóvar, a atriz italiana Valeria Golino e o príncipe Pierre Casiraghi.
Grande protagonista, a champanhe Enoteque de 1993, que será vendida ao público por 300 euros a garrafa, era servida à vontade aos convidados. O tema da noite, como dizia no convite com uma imagem de Clauda Schiffer em uma versão Maria Antonietta, era "libertinos" e muitos o respeitaram, comparecendo com roupas do século XVII, máscaras e vestidos transparentes.
O dono da casa apareceu na festa já tarde, quando muitos já pensavam em ir jantar em outro lugar, visto a escassez do menu, tão refinado quanto mínimo. No entanto, quando Karl chegou abraçado à Claudia Schiffer, até os mais esfomeados mudaram de idéia, e a festa, entre dança e champanhe, seguiu em frente até o amanhecer.
Para a maioria, de partida para Roma para aquilo que o mundo da moda já batizou de "valentiniadi", ou seja, os três dias de festa pelos 45 anos da Maison Valentino, a alta moda parisiense acabou ali. Mais do que em edições anteriores, a alta costura nestes quatro dias se concentrou em poucos nomes como: Christian Dior, Chanel, Christian Lacroix, Givenchy, Jean Paul Gaultier e Giorgio Armani.
Marcas de história e fascínio, mas também de grande poder econômico, com meios para bancar um desfile de alta moda capaz de fazer sonhar os próprios clientes que, príncipes à parte, encontram consolo no prêt-à-porter.
Sabendo do número cada vez menor de desfiles, as Maisons desta vez como que se desafiavam à distância para realizar a apresentação mais espetacular, convidando à corte (Dior em Versailler, Chanel em Saint Cloud) seus convidados, enchendo as primeiras filas de estrelas, as passarelas de top e as coleções de luxo.
As marcas, fora o sempre pragmático Armani, vêm decidindo pela exclusividade para fazer aumentar os faturamentos. A alta moda para os estilistas se transformou em um campo de exercício da fantasia. Para os proprietários das marcas, a representação de um mundo que, talvez, não existe mais, mas que garante o poder de fazer desejar o privilégio de pertencer a ele. Desejo que depois será sublimado e compensado com a aquisição de uma bolsa, um perfume, um par de óculos, acessórios que constituirão os maiores lançamentos das grifes.