Agência EFE
VITORIA - O presidente do Governo regional do País Basco (lehendakari), Juan José Ibarretxe, reivindicou hoje a transferência 'de uma vez por todas e para sempre' do quadro 'Guernica', de Pablo Picasso, para a região autônoma espanhola.
A obra representa o bombardeio da cidade homônima basca em 1937, em plena Guerra Civil espanhola (1936-1939).
O pedido de Ibarretxe foi feito no Parlamento regional basco em resposta a uma interpelação do secretário-geral dos socialistas bascos, Patxi López, sobre uma declaração oficial do Governo da região a respeito da tragédia.
Em 24 de abril, o Executivo basco enviou um comunicado oficial solicitando ao Governo espanhol que peça 'desculpas a Gernika, ao Euskadi (País Basco, na língua regional) e à sociedade espanhola pelos crimes cometidos durante a guerra'.
O bombardeio de Guernica aconteceu em 26 de abril de 1937, como parte dos testes realizados pela aviação alemã devido à proximidade da Segunda Guerra Mundial.
O ataque causou a morte de duas mil pessoas.
O dirigente socialista basco tornou pública a intenção do Governo Basco de reivindicar 'aos herdeiros do Governo legítimo da República, mutilado pela revolta de Franco, um pedido de desculpas pela agressão que seus antecessores sofreram'.
López acrescentou que 'Guernica' foi pintado por Picasso "justamente em nome da Espanha e por encomenda do Governo do país, para denunciar perante o mundo os crimes do fascismo em território espanhol'.
Em resposta a Ibarretxe, o dirigente socialista afirmou que o comunicado oficial basco 'atenta igualmente contra a própria memória de Pablo Picasso, que é inseparável de seu compromisso com a República Espanhola'.
Ibarretxe, no entanto, respondeu que 'trair a imagem de Pablo Picasso é não transferir o 'Guernica' para o País Basco'.
- Guernica Gernikara é a reivindicação dos sobreviventes e da população da cidade - afirmou Ibarretxe, que destacou que "homenagear a memória (de Picasso) seria trazer de uma vez e para sempre Guernica (obra) para Gernika (cidade)'.
O bombardeio, sofrido naquele dia pelos cinco mil habitantes de Guernica, foi o primeiro ataque aéreo indiscriminado contra uma cidade e um indício do que ocorreria na Segunda Guerra Mundial e nos conflitos posteriores.
Centenas de pessoas morreram sob as bombas dos pilotos da Alemanha nazista, que se alinharam ao general golpista Francisco Franco para derrubar a 2ª República Espanhola.
"Guernica', de 7,82 metros de comprimento por 3,51 de largura, permaneceu durante 42 anos no Museu de Arte Moderna de Nova York até 1981, quando foi transferido para Madri e instalado no Casón del Buen Retiro, do Museu do Prado.
Desde 1992, 'Guernica' permanece no Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofía, cuja direção se opõe veementemente à transferência do quadro devido à sua condição 'delicada e frágil'.