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NOVA YORK - Finalmente os franceses ou pelo menos os que produzem vinhos Bordeaux entenderam qual é seu problema.
Eles se deram conta de que não estão mais competindo principalmente com outros vinicultores franceses de lugares como a Borgonha, mas com produtores de vinho de lugares como Argentina, Austrália, Califórnia, Chile e África do Sul, em um vasto mercado internacional. Assim, o Conselho Interprofissional do Vinho de Bordeaux partiu este ano em uma turnê promocional mundial, passando por lugares tão distantes quanto Xangai, Tóquio, Nova York e Boston para divulgar produtos que são vendidos no varejo norte-americano por entre 8 e 25 dólares a garrafa.
Apenas cerca de cinco por cento dos vinhos produzidos em Bordeaux são do tipo apreciado por colecionadores e vendido a preços espantosos. Quem, por exemplo, vai tomar a garrafa de Chateau Lafite-Rothschild de 1787 que pertenceu a Thomas Jefferson, avaliada em 160 mil dólares.
Ou, falando em termos mais realistas, com que frequência um amante de vinhos vai degustar uma garrafa de 'premier cru' Chateau Margaux ou Chateau Latour, ou mesmo um 'deuxi¨me cru' como o Chateau Pichon Longueville Comtesse de Lalande.
Dependendo do ano desses vinhos, eles podem custar entre 100 e mais de 3.500 dólares a garrafa.
Mas cerca de 80 por cento dos vinhos produzidos em Bordeaux caem na categoria dos que custam entre 8 e 25 dólares. A maioria é produzida por vinhedos menores que, como seus conterrâneos mais caros, fazem a colheita manualmente, cortam com cuidado e envelhecem o vinho em tonéis de carvalho. E seus vinhedos ficam muito próximos daqueles dos produtores mais famosos.
Também esses mais modestos falam poeticamente sobre 'terroir', harmonia, caráter e até mesmo as características individuais de cada vinho.
Gilles Laurencin, um produtor de Bordeaux, abandonou o uso do rótulo Bordeaux, que causa confusão entre muitos consumidores norte-americanos. Seu vinho, o Cabs, um misto equilibrado de Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon, é vendido como 'Cabs' e seu logotipo é um simples círculo vermelho, preto e branco, ilustrado com a imagem de um táxi londrino (cab).
- Tive a idéia quando estava visitando amigos na Califórnia e os ouvi se referindo ao Cabernet Sauvignon como 'Cab' e ao Cabernet Franc como 'Cab Franc', ele contou. - É uma abreviação usada por todos naquela região. Então juntei os dois 'Cab', explicou Laurencin.