Agência EFE
WASHINGTON - Cindy Sheehan, a 'mãe pacifista' de um soldado morto no Iraque que protestou em várias ocasiões contra o presidente George W. Bush, disse hoje que está desiludida com os democratas e que abandonou suas manifestações contra a guerra. Casey Sheehan, um soldado de 24 anos do Exército americano, morreu em 2004 em combate no Iraque.
A mãe dele, que passou a se dedicar à luta contra a guerra após a morte de Casey, assegurou que seu filho 'de fato morreu por nada'. Em mensagem divulgada pelo jornal digital 'Daily Kos', Sheehan disse que está esgotada devido ao esforço pessoal, financeiro e emocional dos últimos dois anos. Também disse estar decepcionada com o fato de que os políticos democratas, que venceram as eleições de novembro de 2006 prometendo o fim da guerra, não fizeram o suficiente para que a participação americana neste conflito seja encerrada.
- Meu filho, de fato, morreu por nada - afirmou Sheehan.
- Desde sua morte pensei que seu sacrifício tivesse algum significado. Casey morreu por um país que se preocupa mais com quem será o próximo 'American Idol' que com quantas pessoas mais morrerão nos próximos meses enquanto democratas e republicanos fazem politicagem - acrescentou.
Sheehan escreveu na mensagem que sua militância contra a guerra lhe custou o casamento e que gastou todos os benefícios que recebeu pela morte de seu filho e tudo que foi pago por suas dissertações e livros. Agora ela tem dívidas devido a despesas médicas.
- Juntarei o que me resta desde que iniciei esta jornada, e irei para casa. Vou para casa e serei mãe para meus outros filhos e tentarei recuperar algo do que perdi - ressaltou.
Sheehan e outras famílias de soldados se reuniram em junho de 2004 com Bush em Fort Lewis, no estado de Washington. Ela declarou depois que 'o presidente esteve mudando as razões para esta guerra, e a cada vez a razão resultou ser falsa'.
Em janeiro de 2005, Sheehan e outras oito pessoas fundaram o grupo Famílias da Estrela Dourada pela Paz. A Estrela Dourada é a condecoração que os EUA outorgam às famílias de soldados mortos em combate.
Em agosto de 2005, a 'mãe pacifista', que se tornou mundialmente famosa, chamou a atenção da imprensa internacional quando acampou em frente ao rancho Prairie Chapel da família Bush perto de Crawford, no Texas, e exigiu uma segunda reunião para que o presidente lhe explicasse as razões da morte de seu filho. Ali ficou durante quase quatro semanas. O 'Acampamento Casey'recebeu a visita de cerca de 1.500 pessoas a cada dia, incluindo membros do Congresso e artistas, cantores e líderes de organização que lutam pelos direitos civis.
Em 2006, enquanto continuou com suas manifestações e protestos, Sheehan intensificou suas exigências para que os candidatos do Partido Democrata adotassem posições claras contra a Guerra do Iraque. Sheehan pediu à governadora democrata do Arizona, Janet Napolitano, que retirasse do Iraque as tropas da Guarda Nacional do estado, e depois retornou a seu protesto pessoal contra Bush no Texas.
A 'mãe pacifista' viajou à Europa e à América do Sul, onde foi eleita como símbolo de um movimento pacifista que, nos Estados Unidos, teve seu auge antes da invasão do Iraque, em março de 2003, e que, desde então, não teve um impacto político substancial. Em janeiro de 2006, Sheehan viajou para a Venezuela, onde participou, com mais de 10 mil militantes, do Fórum Social Mundial. Na ocasião, ela disse que admirava o presidente Hugo Chávez 'por sua integridade ao resistir aos Estados Unidos'. Sheehan afirmou ainda que concordava com a declaração do cantor Harry Belafonte, segundo o qual 'o presidente Bush é o maior terrorista do mundo'.