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Carlos Barbosa afirma que a América Latina descobre sua música agora

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Agência EFE

LONDRES - Com a bagagem de toda uma vida dedicada à guitarra espanhola, o músico brasileiro Carlos Barbosa Lima acredita que a América Latina está descobrindo agora seus valores musicais e culturais, o que favorece, segundo ele, o sucesso dos artistas da região no mundo todo.

- A América Latina está passando por um momento de descoberta de seus valores musicais, também culturais, em todos os sentidos. Tanto é que hoje lotamos as salas do mundo e desafiamos as regras com a fusão de tantas culturas - afirmou o guitarrista em entrevista à Efe em Londres, onde tocou na quarta-feira à noite.

- Vejo um renascimento do violão pelo mundo, mas o violão continua sendo um instrumento ibérico e latino-americano, pois pertence à nossa cultura, é parte da vida de nossa gente - acrescentou o músico.

Segundo Lima, um dos exemplos de que o 'espírito ibérico'continua presente na América Latina é a guitarra espanhola, que o músico considera mais que um simples instrumento: um modo de entreter as pessoas. Acompanhado pelo bandolim de Marcílio Lopes, o guitarrista ofereceu, em Londres, um recital em homenagem a vários músicos brasileiros, entre eles Villa-Lobos 'um dos grandes compositores de todos os tempos, não só do Brasil', afirmou.

- Por sua natureza, o violão é um instrumento que está muito embutido na música brasileira - afirmou Lima, destacando, por exemplo, a 'febre' por estudar a guitarra espanhola que houve no Brasil nas últimas décadas.

- Primeiro, a guitarra foi companheira de trovadores, depois do povo humilde, e depois acompanhou todas as classes sociais - resumiu.

Para o paulista Lima, de 63 anos e que começou a tocar violão aos 9, os recitais de câmara são a forma 'mais linda de fazer música com o violão', mais inclusive que os concertos com orquestra, pois desvirtuariam a natureza do instrumento.

Do tempo em que morou em Nova York, o músico agregou os encontros com músicos de jazz, um gênero que 'vai muito bem com o violão, quase tão bem quanto o flamenco', afirmou.

- Meu interesse pelo jazz vem desde pequeno, porque São Paulo é uma cidade cosmopolita. Além disso, vivi um período muito fértil, o dos anos 1950, no qual eu estava crescendo e me embebi da música - acrescentou.

Sobre seu futuro, Lima comentou sua intenção de montar um repertório em comum com Marcilio López, seu companheiro de recital em Londres, pois gosta da 'idéia de ter convidados para levar a outra dimensão o violão'.

Além disso, o brasileiro acaba de terminar um projeto com a guitarrista paraguaia Berta Rojas.

- Gravamos música brasileira e paraguaia. Muito lindo o projeto - disse.