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Diretora de desenho iraniano diz que política não é o principal

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REUTERS

CANNES - A cineasta e escritora de histórias em quadrinhos iraniana Marjane Satrapi procurou na quarta-feira não dar importância excessiva aos protestos iranianos contra seu filme 'Persepolis', pedindo que o público preste atenção a seus aspectos humanos, não aos políticos.

Baseado nos populares livros de quadrinhos em francês de Satrapi que contam a história de como ela cresceu e foi reprimida sob o governo islâmico, o filme atraiu uma carta de protesto esta semana da Fundação Irã Farabi, vinculada ao governo.

A fundação queixou-se junto à França pela inclusão de 'Persepolis' na competição principal do Festival de Cannes.

- Acho que o público deve prestar atenção ao lado humano do filme - disse Satrapi, 37 anos, aos jornalistas numa coletiva de imprensa no festival.

Mas Satrapi disse que aceita qualquer crítica, porque isso faz parte da vida numa sociedade na qual pode expressar suas idéias livremente.

Na carta, reproduzida por várias organizações de imprensa, a Fundação Irã Farabi disse que 'Persepolis' 'apresenta uma visão irrealista das conquistas da gloriosa Revolução Islâmica, em algumas de suas partes'.

O filme de Satrapi, que estreou em Cannes na quarta-feira, é extremamente pessoal.

Ele acompanha a diretora quando era criança e assistiu à queda do Xá, que tinha o apoio de países ocidentais, especialmente dos EUA.

Ela e sua família acreditavam que, sem o Xá, a repressão do Estado acabaria, mas, em 'Persepolis', ela apenas se agravou.

Quando Satrapi se revolta, na época da guerra entre Irã e Iraque, ela é enviada para viver na Áustria. Ao retornar para o Irã por algum tempo a situação está melhor, mas com o tempo sua individualidade feminina é tão reprimida que ela foge para a França.

HUMANIDADE OU POLÍTICA?

Em todo o filme a personalidade da diretora é moldada pela guerra, pela falsidade do governo e a hegemonia cultural masculina. Os governantes iranianos são criticados, mas as democracias ocidentais também, por apoiarem o Xá e fornecer armas de guerra.

Mas o objetivo principal de 'Persepolis' é contar a história do amadurecimento de uma garota numa sociedade extremamente volátil.

Satrapi e o co-diretor Vincent Paronnaud usam um estilo divertido de animação e muito humor, acrescentando um toque leve a uma história que poderia ter sido um drama sombrio, segundo eles.

Catherine Deneuve, que faz a voz da mãe de Marjane no filme, diz que a diretora 'trata de temas muito sérios de uma maneira leve e grave ao mesmo tempo'.

A produtora Kathleen Kennedy, que ajudou a conseguir distribuição Americana para 'Persepolis', descreveu o filme como 'uma oportunidade maravilhosa para mergulhar numa sociedade muito complexa da qual os EUA sabem muito pouco.'