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Scorsese cria fundação para defender memória do cinema

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Agência ANSA

CANNES (FRANÇA) - World Cinema Foundation é o nome da nova criação do norte-americano Martin Scorsese. A associação internacional idealizada pelo premiado diretor para defender a memória da sétima arte alinha na primeira fileira muitos dos maiores cineastas mundiais, especialmente aqueles de países sem tradição de preservar seu patrimônio de imagens.

Ao lado de Scorsese no palco de Cannes, diretores como o brasileiro Walter Salles, o italiano Ermanno Olmi e o malinês Souleymane Cissé comentavam a iniciativa.

- O cinema é hoje a nossa memória mais preciosa, fala das nossas raízes, da nossa identidade, representa uma ponte entre o passado e o futuro. Temos o dever de defendê-lo e conservá-lo e nós, autores, devemos sentir ainda mais essa responsabilidade - afirmou Scorsese.

- Quando me perguntam por que investir no patrimônio e nas cinematecas, privando de recursos os jovens cineastas, eu respondo que não se pode construir um hospital sem fornecimento de remédios - acrescentou Walter Salles.

- O patrimônio histórico equivale para nós a um remédio contra o lado deteriorante da globalização.

- Para um grande continente como a África, que sempre confiou sua memória à tradição oral, o cinema é a primeira forma moderna de consciência coletiva - analisou Cisse.

- E é grave que aquilo que se conserva da nossa obra não esteja na África, não seja visível para as novas gerações, arriscando perder-se no desinteresse.

A World Cinema Foundation utiliza a notoriedade dos seus membros para reunir capital e patrocinadores ao redor dos projetos de restauração, como Scorsese já havia feito pelo cinema norte-americano em uma associação anterior.

- Esta iniciativa é a natural conseqüência do meu amor pelo cinema e deve gerar uma maior consciência coletiva, especialmente em culturas menos habituadas a considerar a importância do passado - conclui o diretor.