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Filme de Julian Schanbel é um dos favoritos à Palma de Ouro

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Agência ANSA

CANNES (FRANÇA) - O mundo visto através da luz que incide no olho esquerdo. Por essa perspectiva o mundo muda, como mostra o diretor Julian Schnabel no surpreendente filme "Le Scaphandre et le Papillon" ("O escafandro e a borboleta", em português). O filme foi aplaudido pela imprensa, que já aposta no longa-metragem como o possível ganhador da Palma de Ouro.

A tragédia do filme evoca a de "Mar Adentro", em que um homem luta na justiça para ter o direito de desligar os aparelhos que o mantêm vivo. Em "Le Scafandre", o protagonista Jean-Dominique Bauby, editor da Elle France, que, após um derrame, fica mudo e com o corpo completamente paralisado, com exceção do seu olho esquerdo.

Sofrendo de síndrome do encarceramento, Bauby, que morreu cinco anos depois de ter sido vítima da doença, conseguiu escrever um livro, que foi ditado à sua enfermeira por meio de sinais.

Schnabel filma essa história com cinismo, bom-humor e ironia, "que pode ser um pesadelo ou um renascimento", como definiu o diretor.

A produção seria protagonizada inicialmente por Johnny Depp. O ator estaria "muito interessado no projeto, mas foi sequestrado por piratas", e por essa razão o diretor optou por Mathieu Amalric, "que era a escolha certa a fazer, uma vez que o personagem é francês, e (o ator) conseguiu ser espontâneo em uma situação especialmente difícil", continuou Schnabel.

O cineasta rodou, com a ajuda do diretor de fotografia Janusz Kaminski, três quartos do filme sob a perspectiva de Bauby, com a imagem desfocada ou descentralizada, limitada pelo olhar do olho esquerdo e da altura da cama de hospital ou da cadeira de rodas.

Bauby sente e entende tudo o que acontece ao seu redor, mas não consegue falar, nem se movimentar e reagir, a não ser piscando o olho, que se assemelha a um vôo de borboleta.

Apesar de fazer várias coisas que preferia não fazer, Bauby ainda tem a cabeça livre para sonhar e relembrar. Ele se sente como se estivesse com um escafandro, símbolo de proteção e de prisão ao mesmo tempo. Quando decide reagir, escreve um livro sobre essa viagem na imobilidade.

- Decidi fazer esse filme depois de ter conhecido na casa de Andy Warhol um artista, Fred Hughes, que sofria de esclerose múltipla mas que também amava a vida. Quando ele piorou no hospital, me deu de presente o livro de Bauby para me fazer entender como se sentia - revela o diretor de "Antes do Anoitecer".

- Essa história toca todos nós, e nos coloca em contato com o sofrimento e a morte, mas se olharmos melhor, podemos encontrar plenitude e beleza, redescobrir o nosso passado com uma outra sensibilidade, um olhar introspectivo que se torna uma oportunidade de conhecimento - disse o diretor norte-americano.

Schnabel também participar da Mostra de Cinema de Veneza: em 31 de agosto levará o documentário sobre a turnê do amigo Lou Reed.