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A polêmica roqueira Sinead O'Connor fica mais meiga

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REUTERS

PARIS - A cantora Sinead O'Connor, que no passado enfureceu católicos ao rasgar uma foto do papa João Paulo 2o, espera que seu novo álbum de canções baseadas em salmos afaste a imagem agressiva que lhe foi atribuída 20 anos atrás.

'Theology', seu novo álbum que deve ser lançado em junho, transforma salmos do Velho Testamento em canções que ela canta com a mesma voz poderosa e som singular que a tornaram instantaneamente reconhecível depois de seu grande sucesso de 1990, 'Nothing Compares 2 U'.

- No mundo da música, muitas pessoas se alimentam de nós, de nossa criatividade. Eu quis fazer algo que me alimentasse - disse a cantora em entrevista.

Aos 40 anos, o cabelo castanho curto -- embora com toques de grisalho -- continua presente, mas a postura desafiadora que a levou a rasgar uma foto do pontífice num show de televisão ao vivo nos EUA, em 1992, parece ter dado lugar a uma pessoa mais branda. O'Connor vem pensando neste álbum desde que era criança, crescendo na Irlanda -- país que descreve como uma 'teocracia'.

- Amo a espiritualidade do álbum - fala, referindo-se ao CD duplo, que tem o acústico 'Dublin Sessions' em um lado e 'London Sessions', com arranjos eletrificados, do outro.

- O álbum trata do Velho Testamento. Se você começa a compor sobre o Velho Testamento, está fadada, não importa o que diga -- as pessoas têm um preconceito grande contra ele.

- Se começa a compor canções sobre Jesus, sabe que ninguém vai ouvir você. Obviamente eu acredito em Jesus, sim, mas não sou burra - disse a mulher que causou rebuliço em seu país quando, em 1999, tornou-se sacerdotisa numa cerimônia realizada em Lourdes por um grupo católico dissidente.

Depois disso, ela deixou claro que, no mundo musical, queria ser conhecida como Madre Bernadette Mary. Oito anos mais tarde, no elegante hotel de Paris onde se reúne com a imprensa, não se vêem sinais da freira na mulher tímida e cortês que traja roupas largas. O'Connor acha que o novo álbum pode mudar sua vida. Mãe de quatro filhos de quatro pais diferentes -- seu último filho nasceu em dezembro --, ela confessa que, 'idealmente, eu adoraria ter um trabalho que não me obrigasse a ficar longe de casa por mais de dois dias a cada vez.'

- O que acontecer com este disco vai determinar o que eu farei no futuro - disse ela.

- Tenho a impressão de que este disco vai me abrir um campo, criativamente falando, que não teria existido antes.

A cantora, que vive com sua família numa grande casa vitoriana com vista para o mar nos arredores de Dublin, tem certeza de uma coisa: não vai retornar ao negócio da música tradicional.

- Eu gostaria de mudar de área... Nos EUA chamam isso de inspiracional. Acho que é religioso/espiritual/inspiracional, é essa a área em que eu gostaria de trabalhar. Escrever canções para corais, esse tipo de coisa.

- Isso combina comigo mais do que o rock ou pop, onde eu me sentia um peixe fora d'água. Não quero deixar meu cabelo crescer, tingi-lo de loiro e colocar silicone nos peitos - disse ela.

- Tenho 40 anos de idade e prefiro exercer algum controle sobre meus próximos 40 anos de vida. Parte do objetivo deste disco é que estou tentando abrir um novo espaço para mim, um espaço que me permita ser meiga.