Agência EFE
FRANÇA - O Festival de Cannes celebra neste domingo seus 60 anos com uma homenagem ao cinema, em uma cerimônia centrada em 35 grandes diretores de todo o mundo, criadores do filme 'Chacun son cinema' ("Cada um com seu Cinema"), que exibirão esta noite.
Walter Salles com dois famosos repentistas em ação; o diretor mexicano Alejando González Iñarritu, exibindo grande carga emocional, e o chileno-francês Raúl Ruiz, que mescla antropologia, indigenismo e tecnologia de forma surrealista, são os três latino-americanos produtores do filme.
O filme foi muito elogiado pelos primeiros espectadores, após a exibição à imprensa.
Os cineastas, de 25 países dos cinco continentes, foram convidados pelo presidente do festival, Gilles Jacob, que formulou a idéia e a co-produziu.
Nem todos os nomes famosos ligados a Jacob e a Cannes estão presentes, mas muitos deles já confirmaram presença, como Roman Polanski, Manoel de Oliveira, Theo Angelopoulos, Ken Loach, Nanni Moretti, Claude Lelouch, Lars von Trier, Andrei Konchalovsky, Wim Wenders, Olivier Assayas e os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne.
Eles serão acompanhados por Bille August, Jane Campion, Youssef Chahine, Chen Kaige, Michael Cimino, Ethan e Joel Coen, David Cronenberg, Raymond Depardon, Atom Egoyan, Amos Gitai, Hou Hsiao Hsien, Aki Kaurismaki, Abbas Kiarostami, Takeshi Kitano, Elia Suleiman, Tsai Ming-liang, Gus van Sant, Wong Kar-wai e Zhang Yimou.
O objetivo era reunir um grupo de criadores 'universalmente reconhecidos, representantes, ao mesmo tempo, de seu país e de uma concepção orgulhosa do cinema'.
Uma curiosidade: come-se muito em 'Chacun son Cinéma'. Laranjas, por exemplo, com Wong Kar Wai, e frutas exóticas com Tsai Ming-Liang.
Já Gus Van Sant dá destaque à decoração estilo 'Mil e Uma Noites' de uma antiga sala de projeção monumental em Portland, nos Estados Unidos.
Segundo David Cronenberg, esse era o tema central do filme, a única condição para participar do projeto: falar sobre salas de projeção.
- O cinema já não é o cinema, tanto no futuro como na atualidade, pois o formato como o conhecemos pertence ao passado (...), não pode sobreviver, disse o cineasta, na entrevista coletiva concedida depois da projeção do filme, afirmando ainda que o objetivo é mostrar a sala de projeção como um lugar em que o espectador pode dar vida às suas fantasias, e onde o cineasta tem liberdade para falar de suas idéias.