Agência ANSA
CANNES (FRANÇA) - Os nove jurados do 60º Festival Internacional de Cinema de Cannes se reuniram ontem pela primeira vez como "simples apaixonados por cinema, e não professores", definiu o escritor turco Orhan Pamuk, um dos incumbidos de escolher os prêmios para os filmes em competição.
O Nobel de Literatura foi um dos mais assediados pelos jornalistas durante a coletiva de imprensa.
- Não estou em Cannes como o vencedor de nada e também não estou aqui representando a liberdade de expressão; estou aqui como escritor seguindo a longa tradição dos júris anteriores do festival, dos quais já participaram outros mestres como Mario Vargas Llosa, Gabriel García Márquez e Toni Morrison.
O presidente do júri, o cineasta britânico Stephen Frears (de "A Rainha") explicou que a ausência de filmes ingleses na competição não é um sintoma de falta de criatividade de seus compatriotas, e muito menos uma conseqüência dos cortes no financiamento do governo na produção cinematográfica.
- Eu também poderia convencer o júri de não conceder nenhum prêmio para me vingar do fato de que nunca ganhei uma Palma de Ouro. Poderia também dar uma de xerife e controlar o trabalho dos jurados. Mas no fim das contas, seguiremos uma lógica para a premiação e procuraremos nos divertir - brincou Frears.
Já o diretor italiano Marco Bellocchio (de "Bom Dia, Noite"), depois de ter comentando sobre "o privilégio de estar aqui para ver e descobrir filmes", começou a debater sobre as novas tecnologias e sobre riscos da expansão do DVD.
O ator e diretor francês Michel Piccoli (que trabalhou sob a batuta de Luis Buñuel em "A Bela da Tarde") disse que "o cinema já possui mais de um século e continua a ser uma arte vibrante e atual, reveladora - mesmo que involuntária - da realidade e do estado de espírito de uma cultura e de um país. É preciso continuar a batalha pela sua sobrevivência, mesmo diante de todas as transformações técnicas pelas quais estamos passando".
Frears chama a atenção para o poder de fogo do cinema dos Estados Unidos, que vem representado com nomes de peso na seleção competitiva (Quentin Tarantino, Irmãos Coen, Gus Van Sant).
- É um fato da natureza, uma realidade com a qual devemos conviver. Nós europeus podemos amar os filmes norte-americanos e tentar fazer outros à nossa maneira.
Pamuk conclui que adoraria ver a história dos seus livros projetados em uma tela grande, mas revela que é "muito cuidadoso com relação a esse tipo proposta, talvez pelo medo de machucar as pessoas, mas sempre disse 'não'".
O júri desse ano é completado pelo cineasta da Mauritânia Abderrahmane Sissako (de "Bamako"), a atriz chinesa Maggie Cheung (de "Amor à Flor da Pele"), a atriz australiana Toni Collette (de "Pequena Miss Sunshine"), a atriz e diretora canadense Sarah Polley (de "Minha Vida Sem Mim") e a atriz e diretora portuguesa Maria de Medeiros (de "Pulp Fiction - Tempo de Violência").