REUTERS
SÃO PAULO - Veterano do Festival de Cannes, o cineasta inglês Ken Loach já tivera seus filmes selecionados 13 vezes antes de vencer a Palma de Ouro de melhor filme em 2006, com mais um drama político, 'Ventos da Liberdade', que estréia nesta sexta-feira em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Porto Alegre.
Conhecido pelo engajamento de seus filmes, como 'Raining Stones' (1993, pelo qual venceu o Prêmio de Júri em Cannes), 'Terra e Liberdade' (1995), 'Meu Nome é Joe' (1998) e 'Pão e Rosas' (2000), Loach mais uma vez uniu-se ao seu roteirista habitual, Paul Laverty, para compor a história de 'Ventos da Liberdade'.
Ao retratar a Irlanda dos anos 1920, em luta contra os dominadores ingleses, Loach comprou uma briga. Afinal, ele mesmo é inglês e nem por isso se intimidou em retratar seus compatriotas como opressores, violentos, irracionais. Como numa cena em que mostra soldados britânicos fazendo uma revista numa casa irlandesa e afinal matando um adolescente apenas porque não quis dizer seu nome em inglês, insistindo na pronúncia em sua língua nativa.
Escalando como figuras centrais dois irmãos, Damien (Cillian Murphy, de 'Café da Manhã em Plutão') e Teddy (Padraic Delaney), o drama progride para retratar o processo de independência e depois a divisão da Irlanda, dando origem a uma das mais longas e sangrentas guerras civis do século 20.
Estes irmãos simbolizam os caminhos percorridos dentro do Exército Republicano Irlandês (IRA). A princípio avesso à militância, Damien planejava viver em Londres, trabalhando como médico. Guerreiro nato, Teddy há muito lutava contra os ingleses.
A injustiça de um assassinato praticado pelos britânicos provoca a revolta de Damien, que se une ao irmão e entra na clandestinidade, onde as leis da guerra são sangrentas.
Uma das marcas registradas deste diretor é também obter interpretações ao mesmo tempo emocionadas e contidas de seus atores, o que novamente acontece aqui.
É de se notar a energia com que Loach filma, aos 70 anos em uma maturidade muito criativa. E não lhe faltam humor, paixão, nem mesmo poesia. O título original do filme ('The Wind That Shakes the Barley') vem de uma canção de Robert Dwyer Joyce, que sintetiza o apaixonado espírito da pátria de James Joyce e Samuel Beckett.