Mario Abbade, Agência JB
RIO - Número 23 irá agradar aos fãs de filmes de mistério. A trama parte de um acontecimento cotidiano para se transformar numa paranóia generalizada com requintes de humor negro.
A fotografia de Mathew Libatique impressiona pela atmosfera inspirada na estética noir. Quem destoa é Joel Schumacher, um ex-figurinista que se acha cineasta. Ele emprega truques e maneirismos técnicos, mas se esquece de dar coerência ao roteiro, precisando recorrer, nos momentos finais, a uma narração para não deixar o público perdido. O elenco é bom, liderado por Jim Carrey, que mais uma vez tenta ser reconhecido como um ator e não um humorista. Não era necessário. Ele já provou que sabe atuar e, mesmo que ganhe uma dezena de prêmios, alguns intelectuais sempre torcerão o nariz para seu trabalho. Quem sabe os franceses o 'descubram' no futuro, como fizeram com Jerry Lewis.