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Pintora Renata Cazzani inaugura mostra individual em Ipanema

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Agência JB

RIO - Encontrar novas possibilidades para a pintura, assim como para o olhar que recai sobre ela, é o que importa para Renata Cazzani. A artista plástica carioca inaugura uma série inédita com 11 quadros nesta segunda-feira, às 20h, na Centro Cultural Candido Mendes, em Ipanema.

Renata deixou para trás as esponjas com as quais produzia texturas uniformes para trabalhar as amplas telas com trinchas e pincéis, utilizando toda a espacialidade possível, incluindo como corpo da pintura as laterais das telas. O que outros entenderiam como limite para uma moldura, ela compreende como um elemento a mais do trabalho, avançando em todo o entorno do suporte.

Nesta fase, Renata Cazzani, conhecida por seu intenso colorismo, experimenta cores reflexivas, fechadas, sobrepondo camadas que resultam em tonalidades mais sóbrias, além de trabalhar com telas mais verticalizadas, de médias e grandes dimensões - todas em tinta acrílica.

Com 21 anos de carreira, Renata tem programada ainda para este ano uma exposição na Galeria Valu Ória, em São Paulo, e na Brazilian American Cultural Institute (BACI), em Washington.

- Os trabalhos que apresentarei este ano foram feitos de 2005 para cá, período em que passei por uma grande mudança e transformação, tanto nas telas quanto na maneira de trabalhá-las. As telas passam a ter um chassi com espessuras mais largas, onde trabalho as bordas independentes, obrigando o espectador a ver a obra não somente de frente, mas também tendo de circular em volta da mesma, em todos os lados - destaca Renata, que não expõe no Rio de Janeiro há quatro anos.

- Se na série anterior, em que trabalhei com esponjas, minha preocupação era produzir texturas sólidas e plácidas, na atual procurei um extremo oposto ao deixar bem aparente as pinceladas e as camadas sobrepostas - completa a artista.

Para o crítico e professor de história da arte da PUC-Rio Masao Kamita, que assina o texto da exposição, "permanece, porém, a modulação geométrica dos planos de cor, obtida através de uma tênue moldura cromática delimitadora dos campos tonais".

Formada em Direito, Renata Cazzani não chegou a trabalhar na área. Falou mais forte o contato com a obra da mãe, Maria Helena Cazzani, pintora de primeira hora. Freqüentando as aulas da mãe com Manuel Santiago, aproximou-se da pintura desde criança. Decidiu-se pelas artes plásticas quase ao acaso, em 1976, de brincadeira com os pincéis e tintas da mãe. Suas telas que começaram figurativas caminharam para a abstração geométrica.

Renata Cazzani passou por várias experiências também no campo da formação. Teve aulas com Hélio Rodrigues, no início da década de 1980. Com o mesmo mestre, ingressou na escultura. Em seguida, foi para o Núcleo 3D, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, como aluna de Celeida Tostes e João Goldberg. Apesar do sucesso de suas esculturas, o problemático contato com a matéria destas obras fez com que fosse, gradualmente, retomando a pintura.

- Ao largar a escultura, por extrema alergia aos materiais, fui redescobrindo a pintura no Parque Lage. Fiz objetos coloridos que mostraram o caminho que iria retomar. A cor para mim é fundamental. Sentia necessidade de mexer com muita tinta. Isso era algo que a escultura não me possibilitava - explica.