Agência EFE
PARIS - Lucie Aubrac, um dos símbolos da resistência aos nazistas na França durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), morreu na quarta-feira aos 94 anos no hospital suíço de Paris, anunciou seu marido.
Aubrac era o sobrenome de guerra de seu marido, Raymond Samuel, com o qual participou na clandestinidade de diversas operações de resistência e sabotagem durante o conflito. Seu nome de solteira era Lucie Bernard.
Nasceu em junho de 1912, em uma família de cultivadores de uva para a produção de vinhos da região da Borgonha. Desde jovem, militou na Juventude Comunista, se formou em professora de História, exercendo a profissão em Estrasburgo, onde conheceu o marido, no final da década de 30, o que marcaria seu envolvimento na guerra.
Em agosto de 1940, organizou a primeira fuga de Samuel da prisão de Sarrebourg, no leste da França. No mesmo ano, organizou com o jornalista Emmanuel d'Astier um pequeno grupo clandestino, A Última Coluna, e criou um jornal intitulado 'Libération', que também circulava na clandestinidade.
A partir de novembro de 1942, dirigiu um comando que organizava fugas de detentos ligados à resistência e, em maio de 1943, conseguiu libertar seu marido, detido dois meses antes.
Em junho de 1943, Samuel voltou a ser detido com Jean Moulin - um dos líderes da resistência aos nazistas na França - e outros dez ativistas perto de Lyon.
Lucie Aubrac conseguiu libertar novamente seu marido e outros 13 membros da resistência durante uma transferência de presos quatro meses mais tarde.
Em fevereiro de 1944, sabendo que era procurada intensamente pela polícia nazista, a Gestapo, fugiu para Londres com um filho pequeno, e grávida de sua filha.
Ao final da guerra na França, voltou ao país com seu marido, que, primeiro foi nomeado comissário da República (delegado do Governo) em Marselha, e depois teve outros cargos políticos em Paris.
Lucie Aubrac continuou sua ação militante na Anistia Internacional e numa organização de mulheres pela igualdade, que entre outras ações se destacou recentemente devido à atuação em prol dos imigrantes ilegais.
O presidente francês, Jacques Chirac, considerou 'uma grande perda para a França' a morte desta 'figura emblemática da participação das mulheres na Resistência' e cuja 'audácia e coragem', além do compromisso com 'todas as grandes lutas modernas da República', ficarão na lembrança de seus compatriotas.
Aubrac, cuja coragem e tenacidade contribuíram para 'lavar a honra perdida da França', ficará 'para sempre em nossa memória e na de nossos filhos como um símbolo de honra e um ideal para todos os franceses', afirmou o primeiro-ministro Dominique de Villepin.