Agência JB
ABU DHABI - A França e Abu Dhabi assinaram na terça-feira um acordo para a construção de uma filial do mais famoso museu parisiense, o Louvre, no emirado mais conhecido pelo petróleo que pelas artes.
Abu Dhabi pagará 400 milhões de euros (525 milhões de dólares) para usar a prestigiosa marca Louvre durante 30 anos, como parte de um acordo cultural que levará telas de Paris para o prédio a ser construído num luxuoso balneário numa ilha.
"Decidimos criar juntos um museu destinado a incentivar o diálogo cultural entre Ocidente e Oriente exibindo obras da maior importância, abrangendo todos os períodos históricos", disse o ministro francês da Cultura, Renaud Donnedieu de Vabres, que assinou o acordo em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos.
A França tradicionalmente usa seu patrimônio cultural como ferramenta para seus interesses políticos. Mas a abertura da filial do Louvre despertou acusações de que o governo estava sacrificando os padrões culturais em nome do lucro.
Especialistas temem que o projeto, apelidado de "o Louvre das areias" na imprensa francesa, distorça a verdadeira função do museu como centro acadêmico e lar de tesouros artísticos ocidentais.
Donnedieu de Vabres defendeu o acordo, que inclui empréstimos temporários de obras, apoio técnico e treinamento. Segundo o ministro, a iniciativa difunde a cultura francesa. Ele assegurou que os principais tesouros do Louvre, como La Gioconda (ou Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci), jamais sairão de lá.
Os Emirados Árabes são uma federação de sete pequenos reinos, entre eles o de Dubai. A região está desenvolvendo o turismo para reduzir sua dependência em relação ao petróleo. Dubai já é um importante pólo turístico regional.