Agência EFE
BERLIM - O Festival de Berlim começou pra valer nesta sexta-feira, em seu segundo dia de competição, com destaque para o brasileiro 'O Ano em que meus Pais Saíram de Férias', de Cao Hamburger, e 'O Segredo de Berlim', uma refilmagem de 'Casablanca', transportada para a Berlim da Segunda Guerra Mundial.
'O Ano em que meus Pais Saíram de Férias' conta uma história singela, passada nos anos da ditadura, e com a Copa do Mundo de 1970 como pano de fundo, e remédio de todos os males.
Seu protagonista é uma criança de 12 anos, de Belo Horizonte, cujos pais, fugindo da ditadura, dizem que vão sair 'de férias', e o deixam aos cuidados de um avô, em São Paulo.
"O Ano em que meus Pais Saíram de Férias' representa a capacidade de adaptação dessa criança, e também do povo brasileiro, e tem como pano de fundo a Copa do Mundo, acompanhada tanto por estudantes comunistas como por judeus ortodoxos.
Emotivo sem ser piegas, despretensioso e belo: assim é o filme de Hamburger, que se insere desta maneira na recente geração de diretores latino-americanos que retratam as ainda recentes feridas das ditaduras.
- Muitos da minha geração agora sentem necessidade de lembrar desse passado - disse Hamburger, nascido em 1962, e que diz ter "apenas vagas lembranças' dos anos da ditadura.
Mas se 'O Ano...' empolgou o Festival de Berlim, o mesmo não pode ser dito de 'O Segredo de Berlim', apesar dos protagonistas famosos e da belíssima fotografia.
Uma Cate Blanchett belíssima compareceu para defender o filme, acompanhada pelo diretor Steven Soderbergh, em um festival ansioso para ver estrelas.
Os dois foram as primeiras presenças de destaque internacional nesta 57ª edição. George Clooney, outro ator do filme e figurinha fácil do Festival de Berlim, no entanto, não comparecerá este ano ao evento.
"O Segredo de Berlim' proporciona uma perfeita montagem entre imagens de documentários da Berlim de 1945 e outras atuais, também em preto e branco.
Apesar disso, o filme de Soderbergh obteve mais vaias do que aplausos em sua estréia diante da crítica.
A versão de 'Casablanca' transposta para o aeroporto berlinense de Tempelhof não emplacou. Faltou química ao casal Blanchett-Clooney, por mais que a atriz tenha se esforçado em afirmar à imprensa que seu companheiro de elenco é o homem 'mais fantástico, divertido, rápido e energético' que alguém possa imaginar.
Parece também que a dupla Soderbergh-Clooney, que trabalhou junta em seis filmes, não vem dando os resultados esperados, tendo em vista as críticas negativas recebidas nos Estados Unidos.
- Talvez na Europa sejamos vistos com mais simpatia - disse o diretor.
O dia contou ainda com a exibição de 'Sai bo gu ji man gwan chan a', de Park Chan-wook, uma história ora delirante, ora filosófica, e com grande carga poética, que deliciou o público do festival.
Tudo acontece em um povoado de loucos, no qual a protagonista se nega a comer, por considerar que é um ser cibernético, que só se alimenta de eletricidade. Seu cúmplice - e apaixonado - é um delinqüente comum, que passa a 'roubar' os males dos doentes.
Com estes componentes, o diretor coreano tece dezenas de histórias paralelas.