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Alta-costura agrada aos olhos, mas não aos bolsos

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REUTERS

PARIS - Que tal vestir um halo dourado e uma capa de freira no próximo coquetel para o qual você for convidada? Ou ir ao escritório usando um quimono almofadado? Ou então um vestido cor-de-rosa decotado até o umbigo?

As criações exibidas nos desfiles de alta-costura de primavera/verão em Paris foram extravagantes, caríssimas e espantosamente belas, mas não necessariamente o tipo de roupas que se pode vestir na vida real.

O estilista francês Jean-Paul Gaultier exibiu modelitos esvoaçantes com imagens da Madona e o menino Jesus. Um vestido trazia um coração bordado em paetês do qual saía um pano que parecia um filete de sangue.

Enquanto celebridades e clientes abastadas o parabenizavam, Gaultier explicou sua filosofia:

- Procurei um pedacinho do paraíso - disse ele a Victoria Beckham, sentada na primeira fileira da platéia, após o desfile.

Beckham, cujo marido, o jogador David Beckham, acaba de anunciar sua transferência do Real Madrid para o Los Angeles Galaxy, disse à Reuters que está pensando se leva algumas peças de alta-costura parisiense para o outro lado do Atlântico.

Como o contrato de cinco anos de Beckham vale 1 milhão de dólares por semana, Victoria é uma das poucas pessoas que têm condições financeiras de comprar vestidos de alta-costura, que podem custar dezenas de milhares de europeus. O número dessas clientes é estimado em apenas entre 200 e 300 em todo o mundo.

O pequeno número de clientes pode transformar o negócio da alta-costura num empreendimento de risco. Mas, em lugar de apenas buscar vender vestidos, as grifes de moda têm como objetivo promover-se com os desfiles glamurosos, atraindo mais compradores para suas linhas de cosméticos e acessórios.

Dita von Teese, dançarina burlesca que acaba de separar-se do roqueiro Marilyn Manson, virou modelo para Gaultier nesta quarta-feira, desfilando com um halo feito de rosas vermelhas e um vestido preto com capa.

Ela disse nesta terça-feira que adoraria usar vestidos de alta-costura todos os dias, mas admitiu que é um caso à parte.

- Quando eu era menina, sempre queria usar o vestido de domingo que era guardado para o Natal ou para ir à igreja. Eu sempre procurava uma oportunidade para me enfeitar - contou ela durante o desfile de Christian Lacroix.

Algumas grifes já deixaram de realizar os caros desfiles de alta-costura. Outros estão se voltando a clientes ricas na Rússia, China ou Oriente Médio para promover seus vestidos top de linha.

Karl Lagerfeld, que nesta terça-feira apresentou saias pretas transparentes para a Chanel, declarou que a alta-costura chegou para ficar.

- Meu futuro é a Chanel - disse ele. - O futuro das outras maisons de alta-costura eu não sei qual é. Nós, pelo menos, temos as clientes necessárias para podermos trabalhar.