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Cultura

O palhaço que não ri em 70 clássicos

Jornal do Brasil RODRIGO FONSECA, Especial JB

Se “O mundo é um circo”, como afirma o título da retrospectiva pautada pela gargalhada que começa hoje no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), nada mais justo de que seu picadeiro tenha como astro principal o palhaço que não ri, alcunha dada ao ator, cineasta e gênio do riso Joseph Frank “Buster” Keaton (1895-1966). “A casa dos fantasmas” (1921) e “O pesado” (1920) são algumas das iguarias resgatadas pela mostra no CCBB, sob a curadoria de Ruy Gardnier e produção de Diogo Cavour, que ilustram uma estética que resistiu bem ao tempo.

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Ícone do riso, Buster Keaton em cena no hilário "O homem das novidades", de 1928 (Foto: Divulgação)

Contemporâneo de Chaplin na era muda do cinema, Buster imortalizou na telona um tipo de humor atlético, que não recorria aos recursos do melodrama, ao contrário do que se via em Carlitos: sua graça vinha de proezas físicas das mais inusitadas e de uma expressão de perene perplexidade. Em 1960, seis anos antes de perder a luta para o câncer de pulmão, Buster foi laureado com um troféu honorário dado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood pelos “talentos singulares que legaram às telas comédias singulares”. Uma das mais criativas delas, “O homem das novidades” (1928), vai ser exibida hoje no CCBB, às 19h30, com acompanhamento ao vivo pelo pianista Cadu Pereira, da Cinemateca do MAM. Serão exibidos 70 filmes até 14 de outubro no evento que, depois do Rio, passará pelo CCBB Brasília (09/10 a 28/10) e pelo CCBB São Paulo (11/10 a 05/11).

Ao mesmo tempo em que o Rio mata as saudades do astro de “Bancando o águia” (1924) e “A general” (1926), ambos em sessão no centro cultural, grandes festivais na Europa revisitam a obra do comediante a partir de projeção do documentário “The great Buster”, de Peter Bogdanovich. Premiado no Festival de Veneza com a laúrea de melhor filme de resgate histórico, o novo longa do cultuado diretor de “A última sessão de cinema” (1971) aborda os bastidores da carreira de Keaton e analisa seu legado.

“Keaton costuma ser festejado pelo grande ator que foi, com sua máscara plástica trágica única, mas pouco se fala sobre o quão inventivo ele foi como diretor”, disse Bogdanovich ao JB. “Keaton dirigia com uma precisão impressionante para o padrão dos anos 1920, apostando no improviso de situações que hoje pareceriam perigosíssimas de serem feitas. Ele inovou os padrões da linguagem e inventou uma comédia física viva”. Espera-se que “The great Buster” chegue ao Brasil em novembro, no Festival do Rio.

 



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