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Cultura

Quarteto toca bossas antigas e novas

Expoentes do gênero celebram suas seis décadas, com versão ampliada de CD conjunto

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Roberto Menescal, 80, e Carlos Lyra, 79, estavam no show em que o termo foi criado, conforme a versão mais bem acabada a respeito do início da Bossa Nova. Vindo do Acre, João Donato, 84, já estava no Rio de Janeiro e não participou daquela apresentação, seu ritmo inspirava até o baiano João Gilberto, tido como catalizador de sua clássica batida ao violão. Marcos Valle, 75, chegou um pouco depois, mas ainda a tempo de formar a chamada segunda geração da Bossa Nova.

Hoje, Lyra, Menescal, Donato e Valle estão novamente juntos no palco – do Blue Note, na Lagoa –, como Os Bossa Nova, celebrando os 60 anos do gênero musical, nomeado meio que por acidente há seis décadas, na Hebraica, em Laranjeiras.

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João Donato, Marcos Valle, Carlos Lyra e Roberto Menescal se apresentam às 21h, no Blue Note (Foto: Divulgação)

Menescal atesta que viu a denominação pela primeira vez na canja que ele e colegas como Lyra e Luiz Carlos Vinhas fizeram com a já conhecida cantora Sylvinha Telles (1934-1966). “O cartaz vinha escrito ‘Sylvinha Telles e o grupo Bossa Nova’. Eu pensava ‘que grupo é esse?’. Quando perguntei, éramos nós. Ela disse ‘eu não sabia que nome vocês tinham e disse à produção que faziam um som Bossa Nova’”, lembra.

Criado em 2008, para celebrar meio século do estilo, Os Bossa Nova reeditaram seu CD em virtude da nova década de história, com duas músicas novas, cada uma de dois de seus integrantes: Donato e Marcos Valle assinam “Último aviso”, enquanto “Sambeando” vem de Menescal e Carlos Lyra, cujo encontro, no Colégio Mallet Soares, em Copacabana, foi outra ponta para a construção da bossa, em história contada com bom humor e conhecimento de causa por eles no descontraído documentário “Coisa mais linda”, de 2005.

“O que tocava quando eu ligava o rádio era samba-canção, que eu adoro, mas as letras eram só de infelicidade. O cara podia ser feliz, mas inventava infelicidade e a cultuava”, lembra, brincando, Menescal. “A gente sentia a necessidade de fazer um tipo de uma música para a nossa geração, com mais felicidade, mais sol”, exprime o compositor de “O barquinho”, parceria com Ronaldo Bôscoli (1928-1994), que deve aparecer hoje no repertório do grupo, que a tem tocado em versão instrumental. Já em “Bananeira”, de João Donato, eles incluem a letra feita pór Gilberto Gil. Clássicos dos outros integrantes também estão na lista, como “Influência do jazz” (Carlos Lyra) e “Samba de verão” (Marcos Valle/Paulo Sérgio Valle).

O show ainda tem músicas compostas pelos quatro para a primeira versão do CD, como “Samba do carioca” e “Bossa entre amigos” e por outros expoentes, como “Tereza da praia”, (Tom Jobim/Billy Blanco) – que antecipou a Bossa Nova, em 1954.

Às vozes dos quatro Bossa Nova, aos pianos de Donato e Valle e à guitarra semiacústica de Menescal, soma-se a bateria de Renato Massa, o baixo de Jefferson Lescowich e os sopros – sax e flauta - de Dirceu Leite.

 

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SERVIÇO

OS BOSSA NOVA

Blue Note (Av.Borges de Medeiros, 1.424 - Lagoa; Tel.: 3577-4477. Hoje, às 21h. Ingressos a R$ 120 (lounge) e R$ 180 (setor premium). Capacidade: 350 lugares



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