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Cultura

Verde, amarelo, blues e branco

Unido a quinteto etílico e produtor, Toni Platão canta MPB em levada energética do ritmo americano

Jornal do Brasil JOÃO PEQUENO, joao.pequeno@jb.com.br

Cada um fora de seu quadrado, Toni Platão e Blues Etílicos voltam a se reunir com o músico e produtor Nilo Romero para a segunda rodada de shows em que interpretam músicas brasileiras em versões blueseadas, já com sequência programada.

Iniciado em julho, o projeto Blues Platônicos volta hoje e amanhã ao Manouche, no Jardim Botânico, com outra data agendada para 27 de outubro, no Rival, com a voz de Platão aliada à gaita de Flávio Guimarães, a cozinha de Cláudio Bedran (baixo) e Beto Werther (bateria) e as guitarras de Otávio Rocha, Greg Wilson e Nilo Romero – requisitado baixista, o produtor assumiu o instrumento-irmão nessa série.

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Nilo Romero (esquerda) e Toni Platão, com a guitarra, se juntam ao Blues Etílicos no Manouche (Foto: Divulgação)

“Estava muito tempo só no estúdio, senti falta do palco e acabei, pela primeira vez tocando guitarra profissionalmente”, conta Romero, que juntou as partes. “O Platão me disse que estava interessado em cantar músicas brasileiras como blues. Chamei o pessoal dos Blues Etílicos, dos quais já havia trabalhado com o Flávio e o Otávio, na produção de ‘Boomerang Blues’, do Renato Russo [no disco póstumo ‘Presente’, de 2003], em que eles puseram violão e gaita”, lembra.

Antes dos primeiros shows, foram dois meses de ensaios, durante os quais o produtor acabou assumindo como terceiro guitarrista. “Não pretendia tocar, no começo, mas, no estúdio, acabava plugando minha guitarra e dizendo ao Otávio e ao Greg: ‘experimenta isso aqui’. Acabou ficando comigo mesmo, porque eles já tinham a dinâmica deles”, elogia.

Além do próprio “Boomerang Blues” e do “Blues da Piedade” (Cazuza/Frejat), o time vai de Gilberto Gil (“Expresso 222”) a Lupicínio Rodrigues (“Esses moços”), passando por Lula Queiroga (“Dois olhos negros”) e até Titãs (“Sonífera Ilha”). Eles acrescentaram duas músicas ao repertório: “Sonho Meu” (Dona Ivone Lara/Delcio de Carvalho) e “Brasil”, parceria de Romero com Cazuza e George Israel.

Ainda que acostumados a bluesear músicas da MPB (como “Espelho Cristalino”, de Alceu Valença; e “Cotidiano Nº2”, de Toquinho e Vinícius) em seu trabalho, os músicos do Blues Etílicos assumem ter feito um projeto bem diferente. “Com o Toni e a direção do Nilo Romero, a gente acaba indo para outros caminhos, até porque nesse show a banda mais segue o cantor”, explica Flávio Guimarães. “Até porque as músicas brasileiras costumam ter harmonia mais complexa o blues tradicional, fechamos mais a forma dos arranjos, sem tantos improvisos”, acrescenta.

Outra característica marcante é a forma mais dançante de blues, “até porque eles seguem uma linha mais Chicago”, pontua Romero.

Um bom exemplo é do “Como 2 e 2”, de Caetano Veloso, que já era um blues e virou um rock. “Essa eu fiz questão de incluir, porque é impossível cantar e não sentir um frio uma espinha”, enaltece Platão, ponderando que essa não foi a regra. “Minha ideia era pegar o que não era blues e tornar blues”.

 

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SERVIÇO

BLUES PLATÔNICOS: TONI PLATÃO, BLUES ETÍLICOS E NILO ROMERO MANOUCHE

Rua Jardim Botânico, 983 – subsolo da Casa Camolese, no Jockey Clube. Telefone: 3514-8200. Hoje e amanhã, às 21h. Entrada: R$ 80 (inteira), R$ 40 (meia) e R$ 60 (com 1 kg de alimento não perecível). Capacidade: 100 pessoas. Classificação: 18 anos.



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