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Maturidade criativa

Theatro Municipal homenageia Mozart com Sinfonia nº40, composta no fértil período final de sua curta vida

Jornal do Brasil JOÃO PEQUENO, joao.pequeno@jb.com.br

Em uma programação dupla, a preços populares, a Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal (OSTM) presta tributo hoje ao talvez mais consagrado compositor clássico. “Viva Mozart!” traz uma sinfonia e uma missa dentre as mais célebres do compositor nascido em Salzburgo, no século XVIII.

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O regente Cláudio Cruz optou pelos arranjos originais do gênio austríaco (Foto: Fred Pontes/Divulgação)

Uma das obras mais conhecidas de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), sua “Sinfonia nº 40 em sol menor”, foi composta em um período de extrema produtividade, quando a escreveu paralelamente às sinfonias anterior e posterior – 39 e 41. Essas três também viriam a ser as últimas sinfonias finalizadas pelo compositor austríaco, que morreria precocemente três anos depois de febre miliar aguda, possível resquício da febre reumática da qual sofrera na infância. De seus sete irmãos, somente ele e Maria Anna Mozart (1751-1829) não morreram antes de completarem um ano de idade.

A peça foi uma das duas únicas sinfonias mozartianas a ser escrita em um tom menor, junto com a de número 25, composta também em sol, 15 anos antes, quando ele tinha apenas 17 anos. “Uma diferença marcante das composições finais é uma maturidade em relação às iniciais, quando ele era fortemente influenciado pelo pai, Leopold Mozart (1719-1787), também compositor e o primeiro professor dele”, aponta o maestro Cláudio Cruz, titular da OSTM, a qual rege hoje com o arranjo original escrito por Mozart, com dois oboés, dois fagotes, dois clarinetes, duas trompas e uma flauta nos sopros.

Na percussão, a orquestra usa somente um tímpano, enquanto as cordas são divididas em oito primeiros violinos, mais oito segundos violinos, cinco violas, cinco cellos e cinco contrabaixos. “É de acordo com a forma como a música era escrita e tocada pelas orquestras naquela época (período clássico). Não haveria porque usar algo como 14 primeiros e 12 segundos (violinos). Ficaria mais para Mahler”, brinca Cruz, referindo-se ao tcheco-austríaco Gustav Mahler (1860-1911), nascido mais de um século depois de Mozart.

Coincidentemente, compositores do período romântico, do qual Mahler fez parte, utilizaram bastante um recurso aplicado por Mozart na nº 40, ao iniciar o tema, liderado pelos violinos, com um fraseado diverso de acompanhamento, tocado com violas divididas, em suas cordas mais graves. Tema popularíssimo até hoje, diga-se de passagem, em allegro molto, seguido por andante, minueto e allegro assai, que fazem os quatro movimentos desta sinfonia.

“Quando falo em maturidade do Mozart, tenho que levar em consideração que essa maturidade já existia aos 20 anos dele, que escreveu todas as últimas sinfonias ao mesmo tempo. Não sabemos até onde iria a genialidade da criação dele se tivesse vivido mais”, exalta o maestro.

Curiosamente, não se tem uma data certa de quando a “Sinfonia nº40” foi apresentada pela primeira vez, embora haja indícios de três concertos antes da morte de Mozart – dois em 1789, em Dresden e Leipzig, e um em Frankfurt, em 1790. Depois do intervalo – sem violas e com canto – completa o programa a “Missa da coroação”, composta por Mozart em 1779, em dó maior, com uma influência do pai, que conseguiu um emprego para ele como organista e compositor na Catedral de Salzburgo, após o filho voltar de trabalhos infrutíferos na Alemanha e na França.

Ela foi a 15ª missa composta por Mozart e recebeu o apelido de “Krönungsmesse” (“Missa da coroação” em alemão), ao se tornar a música preferida para coroações na Corte Imperial de Viena. “Missa da coroação não tem violas, porque o Mozart, quando a escreveu, sentiu que não havia essa necessidade. A ausência das violas é compensada por violinos. Então, mantemos essa formação que ele escreveu, não há porque mudar o que Mozart fez”, reforça Cruz, que, na Missa, além da orquestra, rege coro e quatro solistas: Marianna Lima (soprano), Andressa Inácio (contralto), Ivan Jorgensen (tenor) e Fabrizio Claussen (barítono).

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SERVIÇO

VIVA MOZART!

Theatro Municipal (Pça. Floriano, s/n, Cinelândia;Tel.: 2332-9245). Hoje, às 17h. Classificação livre. R$ 5 a R$ 60 – detalhes no site www.theatromunicipal.rj.gov.br.



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