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O bagunceiro arrumadinho: confira a crítica de "Crô em família"

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A referência ao cult cômico do diretor Frank Tashlin, com Jerry Lewis, “The disorderly orderly” (aqui, “O bagunceiro arrumadinho”), no título desta crítica, dá-se pela impressionante variável de gags físicas que Marcelo Serrado (num momento de maturidade profissional plena) oferece à figura de Crodoaldo Valério. Maior achado da novela “Fina estampa” (2011), o ex-mordomo, hoje empresário do ensino de etiqueta e moda, volta às telonas após um sucesso de bilheteria de 2013 (então dirigido por Bruno Barreto), consolidando-se como um dos personagens de maior viço e longevidade de nosso audiovisual.

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Crô (Serrado) tem em Geni (Schroeder) uma fiel escudeira (Foto: Divulgação)

Sua premissa é das mais simples: como você agiria se fosse apresentado a seus pais e irmãos biológicos já na idade adulta? Mas o depurado carisma de Serrado basta para tornar esta trama, calcada na leveza e na rapidez, um ligeiro, mas sólido entretenimento. Existe algo mais (na ordem dos afetos e na ordem estética) no projeto, pilotado pela diretora Cininha de Paula (atenta às tiradas cômicas metralhadas por Serrado). Em cena, temos um clã de espertalhões que se faz passar pela família de Crô, mas os amigos dele vão protegê-lo do golpe. O acerto maior desta trama, baseada no universo de Aguinaldo Silva, esmerilhada por Leandro Soares, é o hilário desempenho de Jefferson Schroeder ao criar a trans Geni. A partir do cuidado dela com o patrão e amigo, a figura de Crô vai além do âmbito de clown e galga dimensões mais emotivas, doídas, valorizadas nos enquadramentos da fotografia de Silvia Gangemi e Dante Belluti, inspirados no corpo a corpo com a paleta de cores almodovarianas desta comédia prazerosa. 

 

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CRÔ EM FAMÍLIA: *** (Bom)

Cotações: o Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom



Tags: cultura

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