Jornal do Brasil

Tom Leão

Tom Leão

O conceito de TV foi expandido

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Muita gente que assistiu à cerimônia do Emmy, na última segunda-feira, deve ter sentido um tipo de “Gloria Pires feelings” em certos momentos, já que não podia opinar sobre muitas das séries que disputavam categorias principais. Isto porque, a maioria delas, são exibidas em serviços de streaming diferentes do popular Netflix, como Hulu ou Amazon (o primeiro, não tem no Brasil; o segundo, ainda é pouco usado por aqui). Então, ficava aquele gostinho, sobretudo nas redes sociais, de “queria falar sobre, mas nunca vi”.

No fim das contas, pela primeira vez, no Emmy, um serviço de streaming ficou no topo em número de premiações. O popular Netflix, empatou com a poderosa HBO: foram 23 troféus, a maioria deles conquistados pela suntuosa série “The crown” (sobre a realeza britânica), cabeça com cabeça com a HBO, cujo cavalo premiado é “Game of thrones”, que levou o principal prêmio da noite, o de melhor série dramática, equivalente ao Oscar de melhor filme. Atrás deles, uma rede de TV aberta (NBC), com 16 prêmios; um canal fechado, FX (12) e um serviço de streaming, Amazon (com oito). Hulu, que, ano passado, se deu bem, com “The handmaid´s tale”, ficou fora do top 5.

Curiosamente, um dos que subiram ao palco para pegar prêmio foi Lorne Michaels, criador do “Saturday night live” (no ar há 50 anos, exibido pela NBC, o canal que transmitiu o Emmy), que levou o prêmio de programa de variedades. Lorne, que também foi um dos diretores da premiação, ironizou os que diziam que, em duas décadas, as redes de TV não existiriam mais. Netflix e Hulu, de certa forma, também são “TVs” e ele estava ali recebendo prêmio por um programa de TV aberta.

Mas vamos aos programas com o “fator Gloria Pires”, de não podermos opinar, porque não são muito populares/vistos cá: o grande vencedor nesta categoria foi a comédia “The marvelous Miss Maisel” (Amazon), que, em sua primeira vez concorrendo no Emmy, levou cinco prêmios, inclusive o de melhor série de comédia e o de melhor atriz na categoria (Rachel Brosnahan). Somando com os prêmios técnicos, empatou com o SNL, e só ficou atrás de “Game of thrones”, que levou nove troféus.

A lista de minisséries é a que tem mais títulos pouco conhecidos por aqui: a vencedora foi “O assassinato de Gianni Versace” (FX), que faz parte da antologia “American crime history” (cada ano, um caso criminal diferente é enfocado; o primeiro, foi o de O. J. Simpson). Esta concorreu com “Patrick Melrose” (do canal fechado Showtime, estrelada por Benedict Cumberbatch), “O alienista” (Netflix, que, apesar do título, nada tem a ver com o livro de Machado de Assis), “Genius: Picasso” (do canal National Geographic, que a cada vez, enfoca um gênio diferente; nesta, Antonio Banderas faz o pintor) e “Godless” (western da Netflix).

Foi aquele momento em que ficamos pensando: que séries tão legais são estas? Na categoria drama, justiça foi feita (tardiamente) para “The americans” (FX, mas que teve duas temporadas disponíveis no Netflix): levou as de roteiro, ator e série. Já encerrada, é uma das melhores coisas da TV dos últimos anos. Por outro lado, foi duro ver “Twin Peaks”, de David Lynch, ser solenemente ignorada. Foi a obra mais ousada e diferente exibida na TV no ano passado.

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Cena do premiado "The marvelous Miss Maisel" (Foto: Divulgação)

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Rugidos

A série britânica, “The bodyguard”, da ITV/BBC, foi comprada pelo Netflix, que vai distribuí-la mundialmente, a partir de 24 de outubro.

Por outro lado, o mesmo Netflix irá produzir em 2019 uma versão live action da série animada “Avatar”, da Nickelodeon.

Disney revelou que seu serviço de streaming terá séries com personagens da Marvel, como Loki, Feiticeira Escarlate e outros.



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