Carboidrato: bom ou ruim para o cólon

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Por DR WILSON RONDÓ JR

Pão de fermentação natural tem carboidrato bom

Nos últimos anos, passamos a vilanizar os carboidratos, especialmente pelos programas de emagrecimento, que pregam pouca quantidade deles.

Além disso, com a preocupação em relação à saúde intestinal, também se passou a entender a necessidade de restrição ou redução desse macronutriente.

Na verdade, o que aconteceu é que passamos, nas últimas décadas, a consumir carboidratos refinados, industrializados, que se mostraram maiores culpados pela obesidade e doenças degenerativas, por alimentarem bactérias ruins no intestino.

Entretanto, essa simplificação excessiva ignora os carboidratos complexos como elementos importantes na saúde do ecossistema intestinal.

Quando me refiro a carboidrato bom, e que tem o momento certo de ser introduzido na dieta, falo dos ingredientes reais, como batatas, arroz branco, frutas e pães de fermentação natural.

Ações dos carboidratos na melhoria do intestino
- Protege a mucosa intestinal, criando uma barreira no endotélio contra o estresse. Com isso, o processo de digestão e absorção se mantém em equilíbrio.

- Produz muco protetor no intestino, que lubrifica, hidrata e promove um ambiente adequado para as bactérias boas.

- Ativa o transito intestinal. Como o carboidrato tem efeito positivo na tireoide, isso influencia diretamente a digestão e transito intestinal, garantindo um esvaziamento gástrico mais rápido.

Assim, previne crescimento de bactérias no intestino (SIBO), pois evita estagnação, o que gera crescimento excessivo de bactérias, fermentação, gases e intolerância a alimentos.

- Mantém o equilíbrio da microbiota. Para manter uma microbiota ideal, esta deve ser predominantemente de bactérias anaeróbicas que degradam fibras não aproveitadas, com isso reduzindo o nível dos organismos desfavoráveis.

São essas bactérias anaeróbicas que ajudam a manter o equilíbrio bacteriano do cólon, pois produzem a oxidação dos ácidos graxos de cadeia curta, que provêm da degradação das fibras no intestino.

Já as bactérias que sobrevivem com oxigênio interferem na boa nutrição e produzem endotoxinas, altamente desfavoráveis.

Mudanças de conceitos
Nos dias atuais, se condena muito carboidratos, sendo sugerido, na maioria das vezes, dieta de pouco carboidrato ou dieta carnívora.

Nessas dietas, tem se mostrado o estímulo de desenvolvimento de um perfil patogênico e pró-inflamatório da microbiota. Além disso, observa-se o aumento da produção de amônia, fenol, sulfito de hidrogênio, todos inflamatórios para a mucosa.

Porém, estudos recentes têm mostrado que reduzir a ingesta de carboidratos pode diminuir a concentração de ácidos graxos de cadeia curta, que influenciam boas bactérias.

No início, as dietas low carb podem trazer alívios, mas nos casos de longa duração, cortando carboidratos, são como band-aid, ou seja, na realidade causam redução de metabolismo, o que leva a problemas no intestino (e aumento de hormônio do estresse, reduzindo a atividade do hormônio tireoidiano T3, mais bloqueio do T3 reverso e redução de taxa metabólica e produção de energia. Tudo que influencia negativamente a saúde digestiva com o passar do tempo).

Evitar dietas restritivas extremas
Essas abordagens de restrições extremas podem promover ao intestino alivio temporário, mas a situação vai retornar porque não se atingiu a razão inicial do desequilíbrio, que é a redução da taxa metabólica.

E mais que isso, não se ganha nunca a guerra contra as bactérias, tentando fazê-las morrer de fome. As bactérias se multiplicam a cada 12 horas e, portanto, quando se promove essa situação, na verdade têm aumentado seu número, pois são imunes à carência alimentar.

Essa é a evolução natural, que sempre vence.

Portanto, a solução é:
- Aumentar a taxa metabólica, o que envolve carboidrato na dieta, e que melhora a mobilidade intestinal.

- Remover alimentos irritantes para o seu intestino.

- Eliminar temporariamente alimento alergênicos.

- Fornecer energia adequada e nutrientes.

- Permitir a autorreparação natural do seu intestino.

Qual é o melhor carboidrato no seu caso?
- Deve-se identificar os alimentos que podem ser mais facilmente digeríveis e que, portanto, causam menos desconforto.

- Nem todo carboidrato age igual para as pessoas.

- Alguns alimentos podem não ser bons para você no começo, mas com o passar do tempo pode mudar

- Essa mudança ocorrerá pela melhora da saúde intestinal e tireoidiana.

- Procure consumir alimentos com os quais você se sinta bem, mas não restrinja excessivamente os carboidratos, pois podem impactar negativamente sua tireoide

Recuperação da saúde intestinal
A regeneração da saúde intestinal é rápida, sendo que a mucosa tem evoluções a cada 3 dias e a flora intestinal pode mudar de um dia para o outro, dependendo das escolhas alimentares.

Quando aumentar o carboidrato na dieta, faça de modo lento e procure usar fontes integrais.

Observe suas respostas individuais, evitando desconforto digestivo, e tente manter determinação nessa avaliação.

Veja agora os melhores carboidratos para o seu intestino
1. Arroz branco
2. Pães de fermentação natural
3. Batata e batata doce
4. Frutas maduras frescas
5. Legumes cozidos, pode ser bom para algumas pessoas
Nem todo carboidrato vai funcionar para todos.

Observe e valorize as respostas individuais, pois tudo depende do estado do seu microbioma. É ele que vai determinar isso.

Portanto, foque na fonte de carboidratos que funciona bem para você!

Conclusão
Carboidrato tem papel importante na manutenção de saúde intestinal, agindo de diversos modos:
- Protege a barreira intestinal
- Influencia a função tireoidiana
- Alimenta bactérias boas
- Melhora digestão e motilidade intestinal

O segredo é achar os tipos certos e dosagem dos carboidratos que ingere, e que lhe tragam ótima saúde intestinal e bem estar geral.

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Dr. Wilson Rondó Jr.
CRM RJ 52-0110159-5
Cirurgião Vascular de formação e Nutrólogo
Registro nº 058357