Benefícios de doar sangue

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Por DR. WILSON RONDÓ JR.

Doar sangue sala vidas. Inclusive a do doador

Você sabia que só 10% das pessoas que poderiam doar sangue o fazem? Muitos deixam de fazer isso por medo de agulhas, ou por nunca terem pensado nisso.

A cada dia, 41 mil doações de sangue são necessárias, algo que não pode ser produzido em laboratório.

Você pode estar pensando que doar sangue seja algo ruim, pois sua deficiência leva ao cansaço, queda imunológica e anemia. Porém, quem tem muito ferro no sangue pode estar em situação muito mais perigosa.

Gostaria que refletisse sobre o assunto.

Veja os benefícios de doar sangue:

1) Reduz o nível de ferro no seu sangue
Doadores de sangue têm 88% menos possibilidade de sofrer um ataque cardíaco, em consequência da indicação do nível do ferro.
As pessoas não compreendem que o excesso de ferro é um fator negativo, e que esteja correlacionado com risco aumentado de infarto do miocárdio. É por isso que mulheres que estão menstruando têm menor risco cardiovascular, em comparação com homens, porém, quando entram na menopausa, se igualam aos homens em termos de riscos cardiovasculares.
Antes se acreditava que isso ocorria pela alteração hormonal, porém, hoje é sabido que isso ocorre pela retenção do ferro.

2) Melhora o fluxo sanguíneo
Atualmente, vivemos numa condição de maior risco de hipercoagulação do sangue, algo silencioso, mas de altíssimo risco de morte súbita: situações como alimentação refinada, muito açúcar, anticoagulante, cigarro, ondas eletromagnéticas, estresse emocional, ansiedade, colesterol elevado e ácido úrico alterado no sangue são exemplos que podem estar lhe colocando nessa situação de risco.
Essa situação de hipercoagulabilidade do sangue aumenta a inflamação, tanto nas artérias como nas células, pela falta de oxigênio nutrindo os tecidos.
Com repetidas doações de sangue, consegue-se melhorar o fluxo sanguíneo, com isso, menor risco de obstruções arteriais.

3)Maior longevidade
Os estudos são claros: pessoas que doam sangue vivem mais do que as altruístas. Acredita-se que seja por atitude que gera menos estresse e pela redução do nível de ferro circulante.

Entenda o excesso de ferro

O ferro é essencial para a vida, faz parte de muitas proteínas e enzimas, é envolvido no transporte de oxigênio e regulação celular, diferenciação e crescimento celular, entre outras funções.

O seu papel mais importante é na ligação com a hemoglobina, gerando a oxigenação dos tecidos, sem o que as células acabam sucumbindo.

Por outro lado, nós não temos mecanismos de excreção do ferro, pois é como um metal pesado, uma vez absorvido, fica dentro da célula. A capacidade oxidante do ferro é altíssima, com isso pode lesar os tecidos do corpo, contribuindo para muitas doenças sérias.

Segundo estudos, em câncer com excesso de ferro, se tem cerca de 3 vezes mais possibilidade de desenvolver um tumor. Além disso, o ferro em excesso está correlacionado com:

- Cirrose hepática
- Câncer de fígado
- Arritmia cardíaca
- Doença de Alzheimer
- Diabetes tipo I
- Infecções virais e bacterianas

Você tem checado sua ferritina ?

Se você está pensando em prevenção, checar a ferritina é um dos exames básicos para esse objetivo.

Se a sua ferritina é baixa, significa que o seu nível de ferro está baixo.

Os valores de ferritina sérica deve ser entre 20 e 80 ng/ml, sendo que abaixo de 20 sugere que você está deficiente em ferro, e acima de 80, que você tem excesso. A dosagem ideal é entre 40 e 60 ng/ml. Quanto mais alto, acima de 100, pior é a sobretaxa, valores acima de 300 são extremamente tóxicos, ligados a eventualmente sérios danos celulares.

Causas de absorção de ferro:

- Uso de panelas de ferro
- Consumo de alimentos refinados, como cereais e pão branco que são enriquecidos com ferro. O ferro usado nestes produtos é na forma inorgânica, não muito diferente do que ferrugem, e são mais perigosos do que o ferro na carne.
- Beber água de poço.
- Uso de multivitamínicos e minerais com ferro, o que só pode ser utilizado por crianças e mulheres com menstruação importante.

Se você tem excesso de ferro, possivelmente tem hemocromatose, e uma das formas de tratar isso realmente é doando sangue, o que diminui o nível de ferro circulante, porém, para reduzir o nível de ferro intracelular, só através de terapias antioxidantes, quelantes, que realmente lhe trarão resultados constantes.

E lembre-se: não adianta só retirar a carne vermelha do seu prato, pois os vegetais, alimentos fortificados, industrializados, utensílios de ferro, água de poço, são fatores mais importantes nesse processo.

Doe sangue, ou faça flebotomia terapêutica, porém, em ambos os casos, converse com o seu médico familiarizado ao assunto para lhe explicar a necessidade de remoção de ferro intracelular, que só com isso não se consegue resolver o problema por completo.

Referências bibliográficas:

- Cell Reports August 7, 2012

- Am J Clin Nutr. 2001 Mar;73(3):607-12

- Nat Med. 2012 Jan 29;18(2):291-5

- Am Heart J November 2011

- Diabetologia, 2007; 50(5): 949-56

- Am J Clin Nutr March 2001

- Cancer, 1991;67:1707- 1712

- Free Radic Biol Med April 2006

- Biochem Biophys Res Commun October 2001


Dr. Wilson Rondó Jr.
CRM RJ 52-0110159-5
Cirurgião Vascular de formação e Nutrólogo
Registro nº 058357