Saúde & Alimentação

Por Wilson Rondó Júnior

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SAÚDE E ALIMENTAÇÃO

Probióticos melhoram a depressão

Publicado em 19/02/2024 às 09:06

Alterado em 19/02/2024 às 09:06

Já é de amplo conhecimento a importância do uso de probióticos na prevenção ou no suporte de tratamento da saúde mental.

Recentemente, a JAMA Psychiatry reforçou mais ainda esse entendimento, publicando estudo realizado por pesquisadores do Institute of Psychiatry, Psychology & Neuroscience at King’s College London.

Observou-se que a suplementação de probióticos de forma coadjuvante melhora muito a remissão dos sintomas depressivos e de ansiedade, quando comparado com placebo.

Além disso, uma metanálise envolvendo 7 estudos examinou o uso dos probióticos para tratamento de depressão.

Concluíram que os probioticos:
- melhoram os biomarcadores de depressão como fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF)
- reduzem a Proteína C Reativa
- reduzem o cortisol e cetoquinas pro-inflamatórias
- aumentam a produção de ácido gama aminobutirico (GABA), um neurotransmissor que inibe o excesso de disparo neuronal (neural firing)

Além disso, melhoram:
- a integridade da barreira intestinal
- o aumento da proteção imunológica
- a redução da translocação bacteriana
- a elevação da produção de ácidos graxos de cadeia curta (SCKA), como o acetato, butirato e propionato, que desempenham importante papel na saúde do hospedeiro, desinflamando a mucosa intestinal.
- o aumento da substância cinzenta do cérebro, responsável pelas atividades cerebrais mais positivas, reduzindo sintomas depressivos.
- a mudança da atividade cerebral, especificamente em áreas envolvidas na regulação do humor, como as amígdalas, no cérebro.

Alimentos fermentados reparam a depressão
O estresse de longa duração causa uma alteração da microbiota, que pode induzir a depressão.
Pesquisadores da Microbiome Ireland at University College Cork investigaram a influência do uso de uma dieta psychobiotica, baseado na melhora do perfil do microbioma na saúde mental, durante 45 dias.

Dividiram em 2 grupos, sendo que um consumia à base da psychobiotica:
- alimentos fermentados, como chucrute, kefir, natto, missô
- vegetais ricos em probióticos, como maçãs, bananas, cebola e repolho

Depois de 4 semanas
O outro grupo foi só controle.

Resultado:
No grupo da dieta psychobiotica, houve redução do estresse, melhora do humor, além de mudanças positivas em 40 químicos diferentes.

Um dos autores do estudo, professor John Cryan, declarou:
“Embora o microbioma já tenha sido associado ao estresse e ao comportamento, anteriormente não estava claro se, ao alimentar esses micróbios, poderiam ser observados efeitos demonstráveis. Nosso estudo fornece um dos primeiros dados sobre a interação entre dieta, microbiota e sentimentos de estresse e humor.

O uso de dietas direcionadas à microbiota para modular positivamente a comunicação intestino-cérebro traz possibilidades para a redução do estresse e dos distúrbios associados ao estresse, mas são necessárias pesquisas adicionais para investigar os mecanismos subjacentes”.

Referências bibliográficas:

- JAMA Psychiatry. Published online June 14, 2023.
- J Clin Med. 2021 Feb; 10(4): 647.
- Molecular Psychiatry October 27, 2022
- University College Cork October 27, 2022

 

Dr. Wilson Rondó Jr.
CRM RJ 52-0110159-5
Cirurgião Vascular de formação e Nutrólogo
Registro nº 058357

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