Avidez explica quebra do ‘Master’ paraguaio
...
O mercado financeiro é regido pelo tripé: segurança, liquidez e rentabilidade. Quem procura segurança, abre mão da rentabilidade como principal objetivo. Quem é atraído pela rentabilidade deve saber que está abrindo mão da segurança e da liquidez. Foi assim no caso do Banco Master, que oferecia rendimento de 140% do CDI, fiando-se na cobertura até R$ 250 mil do Fundo Garantidor de Crédito.
Pois é neste cenário que se insere a crise do ueno Bank, do Paraguai. Embora o Master tenha causado prejuízos bilionários a fundos de pensão que aplicaram acima do teto de proteção do FGC, em casos claros de corrupção, o impacto do banco de Daniel Vorcaro era inferior a 1% dos ativos do Sistema Financeiro Nacional.
Já o ueno Bank, por sua agressiva captação de clientes, dos quais não eram exigidos muitos comprovantes de renda ou residência, acabou abarcando mais de 40% dos depósitos do país, com mais de 3 milhões de clientes (o país tem 7,1 milhões de habitantes). O impacto da crise pode ser comparado a cerca de 20% do congelamento de recursos do Plano Collor, em 1990.
Apesar das pressões nos alimentos em outubro, o Paraguai registrou taxa anualizada de mais de 2,5% na inflação ao consumidor (IPC). A previsão para 2026, segundo o Itaú, que tem filial no Paraguai é de 3,00% de inflação. O PIB do país deve crescer 4,5% este ano e os juros básicos estão em 5,50%. Como não desconfiar do ueno que oferecia 12% nos seus CDBs? Só a cegueira da ganância, que esquece a segurança e a liquidez. Portanto, foi um castigo a quem imaginava que o Paraguai era um paraíso fiscal do Caribe.
Por sinal, vale comparar as projeções do Itaú para o Brasil, Paraguai e a Argentina, de Javier Milei em 2026. Ao contrário do que supunham os bolsonaristas, a Argentina e o Paraguai não estavam melhores que o Brasil. No passado se comprava uísque paraguaio; agora são CDBs:
País PIB Inflação Juros básicos
Brasil 1,5% 5,2% 13,75%
Argentina 0,8% 30,0% 26,00%
Paraguai 4,5% 3,0% 5,50%