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Bradesco lucra + 15,6%; inadimplência cresce

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O Bradesco voltou a fazer algo que não fazia desde que perdeu a liderança entre os bancos privados brasileiros. Em 2008, com a fusão entre Itaú e Unibanco, que lhe tirou uma liderança desde 1962: foi o primeiro dos grandes bancos do país a divulgar o balanço do terceiro trimestre (o Santander divulga dia 28 e o Itaú, dia 3 de novembro).

O lucro do terceiro trimestre foi de R$ 7.109 bilhões, com aumento de 0,8% sobre o segundo trimestre e de 14,6% sobre igual período do ano anterior. No acumulado de janeiro a setembro o lucro chegou a R$ 20.970 bilhões, com acrescimento de 15,6% sobre o mesmo período de 2025. A atividade bancária gerou 59% do lucro, e os seguros, 41%.

Inadimplência de PF chega a 5,8%

Mesmo com o Desenrola (o banco não achou vantagem na terceira fase), a inadimplência (atrasos acima de 90 dias) para as pessoas físicas, que representam 42,12% da carteira de crédito (R$ 1.150 trilhão), aumentou de 5,5% (no segundo trimestre) para 5,8%; subiu de 4,4% para 4,8% para as pequenas e micros empresas (23,7% da carteira) e até nas grandes empresas (34,4% da carteira) os atrasos passaram de 0,2% para 0,3%. Na média a inadimplência aumentou de 4,4% para 4,8%.

As provisões para devedores duvidosos voltaram a crescer para R$ 10.642 bilhões, superando os lucros do trimestre. O Bradesco fez uma análise comparativa entre seu nível de inadimplência e a média do mercado em várias modalidades até o mês de agosto, mas não escondeu a deterioração do cenário do crédito bancário:




As explicações do Bradesco

"A deterioração do cenário macro prossegue, conforme vem sendo apontado por relatórios periódicos do Banco Central. A taxa de juros se mantém em patamar elevado e a economia desacelera. O comprometimento de renda das pessoas físicas está alto e as condições financeiras estão apertadas para empresas e pessoas. Nesse cenário macro desafiador, é natural que as receitas provenientes de crédito desacelerem e o esforço comercial se concentre em mix mais cauteloso e em receitas não oriundas de crédito".

"Esse foi o caso no terceiro trimestre. Os dois destaques positivos de crescimento trimestral foram as receitas de serviços e a margem com mercado, com sólido desempenho das mesas de produtos estruturados para clientes e gestão do ALM. Em relação ao mix de crédito, registrou-se crescimento de participação de imobiliário, veículos, avais e fianças e TVMs. Com isso, houve novo aumento da participação das linhas com garantia na nossa carteira".

"Os indicadores de inadimplência apresentaram leve alta no terceiro trimestre de 2026. Repetindo o ocorrido nos últimos trimestres, houve mais atrasos acima de 90 dias no segmento de MPME, particularmente nas operações de capital de giro com garantia do governo federal. Os atrasos desse produto corresponderam por cerca de metade da evolução da inadimplência total".

"Além disso, houve atrasos sazonais nas operações do Banco John Deere (voltado para financiamento de máquinas e tratores aos produtores rurais (o Bradesco é o maior no crédito rural, após o BB), que pressionaram os indicadores de pessoas físicas".

“De forma geral, o ambiente macro mantém pressão na inadimplência, o que nos estimula a fazer mais ajustes finos de modelos, preços e reduzir a nossa exposição a “clusters” mais voláteis de clientes.

“O custo de crédito aumentou um pouco no trimestre, como resultado da reavaliação do risco das safras antigas. A cobertura da movimentação de estágio 3 ficou um pouco abaixo dos 100%. Se desconsiderarmos as linhas de capital de giro com garantia dos fundos FGI e FGO, a cobertura seria superior a 100% no terceiro trimestre de 2026 e em todos os trimestres do ano. Essas linhas têm menos provisão por terem garantia de recursos provenientes do governo federal”.

IPCA-15 fica abaixo do esperado

A gangorra das passagens aéreas (subiram 9,66% no IPCA cheio de setembro e caíram 9,14% no IPCA-15 de outubro, prévia da inflação do mês), e a queda de 0,89% na energia elétrica residencial, com a adoção da bandeira verde nas contas de energia, neutralizaram parte da pressão especulativa com impactos do El Niño nos preços dos alimentos e o índice mensal até o dia 15 ficou em 0,32%, bem abaixo das expectativas do mercado (até 50%). A taxa em 12 meses ficou em 4,62%. A Focus prevê 0,32% para o IPCA cheio de outubro. A gasolina subiu 0,92% e gerou impacto de 0,05 ponto percentual no IPCA-15.

A rigor só a lavoura de arroz, afetada no Rio Grande do Sul e Santa Catarina pelo excesso de chuvas, sofreu impacto direto do fenômeno. As altas de 24,54% do tomate, de 13,63% da cebola e de 10,96% da batata inglesa refletem mais especulação oportunista de atravessadores do que problemas nas lavouras. Já o café segue em queda.

Brent a US$ 117 assusta mercados

Com o barril do petróleo Brent superando os US$ 117,30, alta de 3,65% que se aproxima do pico de US$ 122 em 28 de abril, os mercados financeiros de todo o mundo operam com cautela a menos de dez dias das eleições nos Estados Unidos, até aqui desfavorável aos Republicanos.

No Brasil, o empate técnico (a ser dirimido no debate da TV Globo) torna arriscadas as incursões feitas na B3, confiando na vitória do candidato Flávio Bolsonaro. Quem trouxe dólares do exterior para aplicar na bolsa, deve ter se precavido em hedge cambial e em opções no mercado futuro. Quem não fez corre risco de a boca do jacaré fechar e anular as margens iniciais nas duas pontas. O Ibovespa operava estável às 13 horas (horário de Brasília) a 204 mil pontos e o dólar era cotado a R$ 5,0439, com queda de 0,03%.