Tá ruim? Veja o mundo em volta
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Deve ser horrível viver num país com a economia em crise – inflação em alta, juros crescentes que agravam o endividamento que já é maior que o PIB, sobretudo quando estamos em ano eleitoral e o governo não vai bem nas pesquisas. Mas esse quadro é nos Estados Unidos, de Donald, admirado por boa parte dos eleitores de Flávio Bolsonaro.
Segundo o "New York Times", "Pesquisa aponta que aprovação de Trump atinge novo mínimo a duas semanas das eleições de meio de mandato". E o que é pior, enquanto aqui já se faz o terceiro "Desenrola" para renegociar dívidas, a 10 dias da eleição de 3 de novembro, surge uma " crise de inadimplência nas contas de serviços públicos", com os atrasos concentrados nas contas de luz.
Mas não pensem que o populismo eleitoral é coisa nossa. Jair Bolsonaro abusou disso em 2022, mas não foi reeleito. Lula está abrindo o saco de bondades, mas Flávio Bolsonaro, que promete reduzir em R$ 200 bilhões os gastos em 2027, se for eleito, com Lula crescendo no 2º turno, dobra os cacifes das bondades prometidas por Lula.
A conta não fecha. Só que os sites e jornais de economia não mostram a contradição, pois a maioria pertence a instituições financeiras ou a ela estão ligados. A "Folha" tem o PagBank, (que adiou a apresentação do balanço para novembro). A "Exame" é do BTG-Pactual. O "Infomoney" é da XP.
E muitos outros estavam na lista de pagamentos do Master, de Daniel Vorcaro, como o "Metrópoles, e o "Brazil Journal". Fica difícil ler análises econômicas isentas quando há muitos interesses financeiros em jogo.
Joaquim Levy, ex-ministro da Fazenda do primeiro governo Dilma (caiu por ser sabotado ao fazer duro ajuste fiscal), atual diretor do Banco Safra, disse, conforme o "Valor Econômico" de ontem, que "o resultado primário do Brasil não é brilhante, mas não destoa do mundo", que padece dos impactos de duas guerras (2022 e 2026) diretamente sobre os preços do petróleo e dos combustíveis.
Mas, imagina o que diriam aqui destas notícias do "NYT" sobre Trump:
"O presidente apresentou planos para um pacote de ajuda de US$ 8 bilhões para os agricultores, enquanto os eleitores expressam preocupação com os custos".
"Trump utiliza uma quantia sem precedentes de US$ 277 milhões na reta final das eleições de meio de mandato"
"O Super PAC de Trump lança uma enxurrada de anúncios no Facebook e Instagram";
"Trump pressiona para expulsar a imprensa da Casa Branca".
El Niño gera mais medo nas manchetes
Depois de apostar, no primeiro trimestre, numa escalada da inflação devido ao impacto da guerra no Golfo Pérsico sobre os combustíveis (que elevaria os juros – o que não ocorreu porque o governo Lula taxou os ganhos extras na exportação de petróleo e bancou subsídios aos combustíveis), o mercado financeiro apostou na inflação do El Niño neste segundo semestre e começo de 2027.
O Bradesco, que acompanha semanalmente o fenômeno e as safras, indica que o El Niño gera mais medo nas manchetes (que facilita especulações) do que temor nos produtores rurais. A produção agrícola brasileira se concentra no Centro Oeste, de onde vem mais da metade da produção de soja, milho, algodão e carnes. O Paraná é o segundo estado produtor e o Rio Grande do Sul, o terceiro. Somada, a produção do MATOPIBA (acrônimo de Sul do Maranhão, Tocantins, Piauí e Oeste da Bahia) vem em 4º.
Conab vê safra recorde
A Conab estima produção de grãos superior a 367 milhões de toneladas em 2026/27. O recorde é ligeiramente maior do que o do relatório divulgado no mês passado. A dinâmica da safra é resultado do incremento de área plantada (+2,3%), que mais do que compensa a perda de produtividade (-0,8%). A estimativa sugere recorde de soja e milho, com produção de 181,6 e 148 milhões de t., respectivamente, com expansão de área de 4,9% para milho e de 1,4% para soja. Apesar de positivo, o avanço da área de soja será o menor dos últimos 20 anos se confirmada a estimativa. Por outro lado, a produção de arroz deve ser de quase 10,8 milhões de t. (-2,9%), com a perda de produtividade (-3,7%) puxando a safra para baixo. A área de algodão também deve crescer (+3,7%), levando a produção de 4,2 milhões de t. de pluma (+0,3%).
Os efeitos do El Niño
O relatório é otimista quanto à área de soja e arroz, e os riscos de El Niño para a produtividade seguem no radar do mercado. As chuvas chegaram ao Centro-Oeste neste início de primavera, seguindo o padrão histórico do El Niño. No Mato Grosso, o volume de chuvas se normalizou, embora o norte do estado ainda registre precipitação abaixo da média. Nesta fase inicial do ciclo, o déficit não deve comprometer a emergência das sementes nem a formação do estande, e os modelos meteorológicos americano e europeu indicam continuidade das chuvas à frente. Nesse ambiente, o plantio no Centro-Oeste tem ocorrido mais rápido do que nos últimos anos, sendo recorde para essa época do ano em algumas regiões.
No MATOPIBA, os modelos indicam a volta das chuvas nas próximas semanas, com volumes dentro da normalidade para o período. A melhora da condição hídrica no solo deve favorecer as operações na janela de plantio para a região.
A atenção se volta para o excesso de chuvas no Sul. O maior volume hídrico e o encharcamento do solo no Paraná e Rio Grande do Sul ameaçam o desenvolvimento do estande da soja e do milho, e a Conab já aponta restrições em seu acompanhamento da safra para o milho de 1ª safra.