PIB e Selic em queda; IPCA e dólar sobem
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A gangorra das pesquisas eleitorais segue influenciando as cotações dos ativos neste segundo turno. Depois de fechar a semana passada em queda, o dólar voltou a subir para R$ 4,9975 (+0,21%) depois da nova alta de 0,50% do Brent para entrega em dezembro, a US$ 106, e da divulgação da pesquisa BTG/Nexus, com o virtual empate técnico entre Flávio Bolsonaro (48%) e Lula (45%), no limite da margem de erro de 3%.
Na reabertura dos mercados após o feriado de Nossa Senhora Aparecida, a Pesquisa Focus encerrada sexta-feira, 9 de outubro, e divulgada hoje pelo Banco Central, trazia visão positiva do mercado, que aposta em Flávio Bolsonaro. Apesar da alta na previsão do IPCA de 2026, de 5,01% para 5,22%, o mercado viu espaço, com a apreciação do real, semana passada, para o câmbio cair e para duas baixas de 0,25% na Selic que fecharia o ano em 13,25%.
Trata-se de uma mudança importante. Como se recorda, quando Estados Unidos e Israel atacaram Teerã, em 28 de fevereiro, as expectativas de inflação explodiram no Brasil e no mundo. No Brasil, dado o mecanismo da indexação, o mercado financeiro exponencia suas expectativas visando forçar o Banco Central a manter os juros mais elevados.
Em março, quando o IPCA subiu 0,88%, as projeções para a taxa de 2026 subiram para 6%, mas numa perspectiva de uma guerra curta (no máximo dois meses) "vendida" por Donald Trump aos americanos. A guerra encaminha-se para oito meses e o petróleo segue cotado acima de US$ 100 até fevereiro de 2027 (a alta das cotações permanece até 2030). O dilema para Trump é ver seus discursos serem desmentidos pelos fatos, a menos de um mês das eleições para o Congresso, com risco de nova alta dos juros que prometeu baixar.
Neste cenário, o mercado financeiro pressionou o Banco Central a elevar a Selic, que estava em 15%, para 16%. Como cada ponto a mais na Selic custa R$ 71,5 bilhões ao Tesouro Nacional ao fim de 12 meses, o uso de subsídios cruzados à gasolina, ao diesel e ao GLP (bancados com o imposto sobre a exportação do petróleo, que saltou de US$ 60 para US$ 100) gerou economia bem superior ao subsídio.
Mais do que isso, abriu espaço para a redução da Selic, sem descontrole do câmbio (note-se que o diferencial de juros entre o Brasil e EUA encolheu de 11,25% em fevereiro, para 9,75% atualmente). Se o mercado, que aposta numa taxa de câmbio com o real mais apreciado (em função de algum ajuste fiscal em 2027, a taxa de dezembro de 2026 reduziu de R$ 5,20 para R$ 5,15). As negociações no mercado estão mais próximas de R$ 5,00.
O excesso das expectativas
Mas o que importa é que o Banco Central não cedeu ao excesso de expectativas do mercado financeiro. Manteve a firmeza da redução da Selic em 0,25% a partir de março e a taxa está em 13,75% (uma economia de R$ 100 bilhões) e, se fechar o ano em 13,25% amplia a economia a R$ 150 bilhões).
O diferencial de juros entre Brasil e EUA cairia a 9,25%. Se as projeções do mercado estiveram certas para 2027, a Selic fecha o ano em 12,00%, com economia de quase R$ 300 bilhões antes do cenário exagerado do mercado em abril-maio deste ano.
É interessante notar que a dupla que ganhou o Prêmio Nobel de Economia de 2026, o economista Robert E. Hall, professor da Universidade de Stanford (Califórnia) e doutorado em Economia pelo MIT, e o professor Michael Woodford, da Universidade de Columbia, também com doutorado em Economia no MIT, além de centrarem sua tese na administração de expectativas (mas pelo olhar das autoridades monetárias) discordam da ortodoxia da escola de Chicago, seguida pelo mercado financeiro.
O Banco Central, na gestão Campos Neto sempre andou atrasado em relação às expectativas de mercado. Primeiro, baixou em demasia a Selic na pandemia para 2,00% e a manteve neste patamar de agosto de 2020 e a manteve até janeiro de 2021 (criou o espaço para o Master e outras “fintechs” captarem recursos pagando bem acima do CDI) e continuou atrasado quando do choque do petróleo causado pela invasão da Rússia à Ucrânia, em fevereiro de 2022.
A vantagem da Petrobras
É verdade que o engessamento dos preços dos combustíveis ao mercado externo pelo sistema de paridades de preços internacionais (PPI), deixou pouca margem de manobra. Mas o PPI era parte do plano para privatizar a Petrobras – situação que Flávio Bolsonaro ainda não esclareceu.
Lula cumpriu a promessa de campanha de “abrasileirar” os preços, usando mais o petróleo mais leve do pré-sal nas refinarias (que elevaram a capacidade operacional de 70% para 95%). A Petrobras, que “era um problema”, na definição de Jair Bolsonaro, mostrou sua importância estratégica para o país. O uso de um insumo estratégico como a Petrobras e seus produtos evitaram uma hiperinflação e a escalada dos juros que concentraria mais a renda no mercado financeiro.
Previsões desencontradas
A biruta do mercado está mudando muito. Vejam a diferença das projeções da Focus para as do FMI sobre o PIB e da projeção do mercado para o câmbio X a da Goldman Sachs.