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IPCA-15 de 0,70% em setembro surpreende o mercado

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Em setembro, o IPCA-15 teve alta de 0,7%, surpreendendo a estimativa do mercado.

A variação em 12 meses ficou em 4,47%, em trajetória de descompressão em relação ao pico de 4,80%, registrado em junho deste ano. Além do efeito altista do bônus de Itaipu, (energia elétrica residencial subiu 7,02%) o foco de atenção neste mês é a
aceleração de alimentação, com estabilidade nas principais métricas de núcleo, adverte o Bradesco.

A alimentação no domicílio consolidou sua trajetória de alta na janela de 12 meses, acelerando para 3,73% em setembro frente aos 0,35% registrados em março. Nesta leitura, os produtos "in natura" subiram mais do que esperado. Esse movimento de alta do grupo deve continuar e deverá ganhar tração no fim deste ano, sob a influência do El Niño.

Os serviços registraram 6,00% em 12 meses, mostrando uma leve acomodação em relação ao pico de junho (6,25%). Os serviços subjacentes, que excluem itens voláteis como passagens aéreas, continuam praticamente nos mesmos patamares das últimas leituras, em 5,28%. Vale notar, contudo, que a alta de setembro foi maior que a esperada, com surpresa relevante em passagens aéreas e um pouco mais espalhada nos serviços não subjacentes.

Os preços administrados mostram alívio na visão anualizada, recuando para 4,14% em setembro (ante o pico de 6,14% em abril). Ainda assim, nesse mês, houve pressão altista pelo Bônus de Itaipu e por surpresa altista em gasolina.

Os bens industriais apresentaram um leve avanço na métrica annual, atingindo 2,95%.
No curto prazo, o Bradesco espera maior volatilidade nos bens industriais por conta da dinâmica dos descontos relacionados à Black Friday, que se estendem ao longo de novembro, mas já impactam preços industriais em outubro.

Avaliação do Bradesco
Os números de agosto e setembro trouxeram bastante volatilidade por conta do Bônus de Itaipu. Além desse efeito, destacamos a alta de alimentação, que deve se intensificar até o final do ano. Para além desses fatores, os núcleos de inflação seguem entre 4,0% e 4,5% desde o começo do ano, com leve desaceleração para próximo de 4,0% nas métricas em três meses, indicando que a descompressão deve ser
gradual.

A desaceleração econômica esperada deve contribuir para manter núcleos próximos desses patamares, em meio a um ambiente de pressões altistas no final do ano.