Pós-Copom: Bradesco vê novas quedas da Selic
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Itaú e Bradesco, os dois maiores bancos privados do país, mantêm divergência sobre a condução da política monetária que pode resumir a mediana das opiniões do mercado. No dia seguinte à redução, pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, da Selic a 13,75% (taxa que ambos apontavam, até ontem, como a terminal para este ano), os dois bancos preferem aguardar a íntegra da Ata do Copom, dia 22, e o Relatório de Política Monetária (RPM), dia 25, para avançar nas projeções para 2027 e até 2028.
Antes da reunião do Copom, o Bradesco previa IPCA de 5,0% este ano e de 4,1% em 2027, com a Selic fechando 2026 em 13,75% e em 11,00% em 2027. Já o Itaú reduziu a projeção do IPCA deste ano a 5,1%, com a Selic em 13,75%, e manteve o IPCA de 2027 em 4,4%, com Selic de 12,50%.
As projeções dos dois bancos devem sofrer ajustes após a superquarta na qual o Federal Reserve Bank elevou, pela primeira vez, desde 2023, em 0,25% o nível de juros, que agora tem o piso máximo de 4,00% ao ano, enquanto o Copom reduziu pela quinta vez a Selic para 13,75%, reduzindo o diferencial de juros entre o Brasil e Estados Unidos a 9,75%. Até março, o diferencial era de 11,25%.
Ao analisar o comunicado, o Bradesco observou que "caso o câmbio permaneça próximo dos níveis atuais, o Copom terá condições de reduzir a Selic nas duas últimas reuniões de política monetária do ano". Enquanto o petróleo tipo Brent tinha queda de 2,60% para a faixa dos US$ 103, o dólar estava em queda ante o euro, iene, franco suíço e dólar australiano, tinha estabilidade ante o real, cotado a R$ 5,1539 às 11:45 (horário de Brasília).
De olho nas projeções
O RPM costuma antecipar, a cada fim de trimestre, as projeções de inflação do Copom para os próximos três meses (ou seja, até dezembro) e simular cenários para a inflação futura e os respectivos níveis de juros e câmbio, visando clarear o horizonte da política monetária para os próximos 18 meses, que é o primeiro trimestre de 2028.
As divergências entre Itaú e Bradesco têm razão de ser. Durante dos últimos 16 anos, as duas diretorias mais importantes na formulação da política monetária do BC – a própria Dipom e a de Política Econômica (Dipoe) – foram ocupadas por economistas ligados ao Itaú.
Na gestão de Roberto Campos Neto, Bruno Serra comandou a Política Monetária até ser substituído por Gabriel Galípolo em maio de 2023, que veio a substituir Campos Neto na presidência do BC em janeiro de 2025. Após cumprir quarentena, Bruno Serra voltou ao Itaú, onde dirige a diretoria de Fundos de Investimentos. E a Dipoe foi exercida, de 2022 até 31 de dezembro de 2024 por Diogo Guillen, egresso do Itaú, para onde voltou, após a quarentena, para substituir Mário Mesquita (também ex-BC) na diretoria de pesquisas macroeconômicas.
Já desde janeiro de 2025, quando Gabriel Galípolo assumiu a presidência do Banco Central, a diretoria de Política Monetária do BC passou a ser exercida pelo ex-diretor de Tesouraria do Bradesco, Nilton Davi. Até aqui, o Bradesco vem acertando mais suas projeções do que o Itaú, que chegou a prever IPCA de 5,6% este ano (logo após a guerra dos EUA-Israel contra o Irã) e a Selic em 15,75%.
Bradesco: se câmbio ajudar...
“A projeção de inflação para o primeiro trimestre de 2028 (atual horizonte relevante) ficou estável em 3,2%. A estimativa considera uma trajetória de juros que encerra 2026 em 13,75% e 2027 em 12,0%”.
“O balanço de riscos para a inflação permanece caracterizado como altista. O comitê avalia que o cenário segue incerto e que manterá os juros em nível restritivo para assegurar a convergência da inflação à meta”.
Para o Bradesco, “o comunicado, praticamente idêntico ao da reunião anterior, indica um Banco Central que continua dependente da evolução dos dados, em ambiente ainda cercado de incertezas. Avaliamos que, caso o câmbio permaneça próximo dos níveis atuais, o Copom terá condições de reduzir a Selic nas duas últimas reuniões de política monetária do ano (em 4 de novembro e 9 de dezembro). Como usual, reavaliaremos o nível de juros em nosso próximo Economic Outlook”.
Itaú vê pausa em novembro
Já o Itaú disse: “nosso cenário-base continua contemplando uma pausa no ciclo de flexibilização na próxima reunião. Como ressaltado pelo próprio Banco Central, entretanto, essa avaliação segue condicionada à evolução dos dados até o próximo Copom”.
“Continuaremos acompanhando atentamente esses desenvolvimentos, bem como a comunicação da autoridade monetária, com destaque para a divulgação da ata (do Copom), na próxima terça-feira (22 de setembro), e do RPM (Relatório de Política Monetária), na quinta-feira da próxima semana (24 de setembro)”.