Em julho, só juro real foi positivo

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No dia da decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) sobre a nova queda da Selic, que está em 14% desde 6 de agosto, o Banco Central divulgou o IBC-Br de julho, que funciona como prévia do PIB. Ao registrar queda de 0,2% frente a junho e retração de 0,3% no trimestre maio-junho-julho, o IBC-Br deu provas de que o rigor monetário foi excessivo.

Sobretudo, porque os fatores de pressão sobre a inflação têm sido de origem externa: alta da cadeia de petróleo devido à guerra dos Estados Unidos-Israel contra o Irã, que se aproxima do sétimo mês e já se espalhou do Golfo Pérsico (estreito de Ormuz) para o Mar Vermelho, pelos ataques dos Houtis, aliados do Irã, a oleodutos da Arábia Saudita e agora, o temor de impactos do El Niño gera especulação nos preços agrícolas.

Os dados da USDA desta semana indicaram aumento nas previsões de colheita das safras de milho e soja nos Estados Unidos, o que provocou efeitos baixistas na Bolsa de Chicago. A ponta altista do mercado aposta que as chuvas intensas previstas no cinturão agrícola americano atrasem a colheita. O açúcar também sobe até março, afetado pelo excesso de chuvas no Centro-Sul do Brasil. Contra essas expectativas, juros altos são inócuos.

Queda generalizada

Nos dados do IBC-Br, em julho, a Agropecuária recuou 1,2%, a Indústria encolheu 0,4%, o setor de Serviços (o mais importante da economia) ficou estagnado e até a arrecadação de impostos (sobre a indústria e serviços, sobretudo) teve queda de 0,2%.

No trimestre maio-junho-julho, o recuo da economia foi ainda maior -0,3% (embora não caracterize recessão, consumada com a queda de dois trimestres seguidos – no caso os trimestres iniciado em abril e julho). A Agropecuária teve queda de 0,6%, a Indústria produziu menos 0,5%, a atividade de Serviços recuou 0,2% e a arrecadação de impostos teve perda de 0,6%.

A inflação de julho foi de apenas 0,07%, e acumulou 0,81% no trimestre maio-junho-julho. Em julho, a Selic estava em 14,25% ao ano. Pode-se dizer (com certo exagero, é claro) que tanto em julho como no trimestre maio-junho-julho, a única atividade positiva foi a financeira, com ganhos com juros bem acima da inflação. O Ibovespa valorizou 3,47% em julho e o real teve pequena valorização.

EUA esperam alta de 0,25% no Fed

Na superquarta, que será comandada pela reunião do Federal Open Market Committee (FOMC), o órgão deliberativo do Federal Reserve Bank, integrado por 12 representantes, a expectativa nos Estados Unidos é de que o Fed promova o primeiro aumento dos "fed funds", desde 2023, em 0,25%, para a faixa de 3,75%-4,00% ao ano.

A decisão do Fed, a ser divulgada por volta das 15 horas, dá três horas de vantagem para o Copom definir a nova queda da taxa Selic para 13,75% e ajustar o comunicado – deixando ou não a porta aberta para nova baixa em 4 de novembro. O Itaú não espera muitas mudanças no comunicado.

Confirmados os dois movimentos, o diferencial de juros entre o Brasil e EUA cai meio ponto para 9,75%. Até 18 de março, quando o Copom reduziu a Selic (para 14,75%), que estava em 15% desde junho de 2025 o diferencial de juros era de 11,25%. Ou seja, se os dois bancos centrais confirmarem o movimento a arbitragem de juros perderá margem de 1,50 ponto percentual. Há ainda muita folga para ajuste.