A economia de olho na política

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Enquanto o país passou a manhã grudado nas telas de TV e dos celulares acompanhando o julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre a conduta do ministro Alexandre de Moraes e seus desdobramentos na campanha eleitoral, a economia continua a se mover no Brasil e no mundo.

Na véspera da superquarta, quando se espera que o Federal Reserve Bank venha a elevar em 0,25% o piso dos juros americanos, para 3,75%-4,00% e o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) reduzir a Selic para 13,75%, as pressões inflacionárias continuam no mundo. Hoje o petróleo roça os US$ 108, com alta de 2,12%, que se estende a todos os vencimentos até 2029.

Embora a diferença entre os juros do Brasil e dos EUA tenha se encurtado em meio ponto, a cotação do dólar, em alta frente ao iene (+0,40%) e ao franco suíço (+0,27%), se manteve em queda no primeiro dos dois dias de reunião do Copom, com o dólar cotado a R$ 5,1471, baixa de 0,05%.

Juros altos travam consumo

Os dados da economia neste segundo semestre mostram que a elevada taxa de juros reais (da Selic e, sobretudo dos juros bancários) continua travando o consumo e aumentando as dívidas das famílias, empresas e do governo.

O IBGE já divulgou que a indústria reagiu em julho, com avanço de 0,2% em relação a junho, apesar da retração de 1,0% na atividade extrativa mineral, graças ao crescimento da indústria de transformação, ainda que o mês de julho de 2026 mostrasse retração de -0,5% frente a julho de 2025.

Após a Pesquisa Mensal de Serviços mostrar estagnação em julho, o IBGE divulgou nesta terça-feira que as vendas no varejo cresceram 0,4% em julho, após quatro quedas consecutivas, mas ainda aquém das expectativas do mercado, o que reflete cenário de moderação. Na comparação interanual, as vendas no varejo subiram 1,8%.

O resultado positivo foi puxado pelas vendas de veículos e materiais de construção, que tinham liderado a queda em junho. No entanto, o resultado não reverte as perdas do mês anterior. No caso de veículos, o avanço de 0,3% ocorreu após a retração de 1,3% observada em junho. Para materiais de construção, a alta foi de 0,7% em julho, depois da retração de 3,2% no mês anterior. Os dois segmentos são dependentes do crédito e sensíveis às taxas de juros.

Dos 10 setores, cinco avançaram e cinco contraíram na margem. O destaque positivo no mês foi "Material de construção" (+0,7% no mês), enquanto o destaque negativo foi "Móveis, eletrodomésticos" (-4,9% no mês). Os artigos mais dependentes do crédito, continuaram contraídos.

Para o Itaú, os dados de hoje são consistentes com um início fraco do terceiro trimestre para o varejo, uma vez que tanto as categorias sensíveis ao crédito quanto as sensíveis à renda mostraram desempenho mais fraco do que o esperado. Mas o Itaú, com base em seu indicador IDAT sugere alguma melhora em agosto.

Para o Bradesco, a surpresa negativa com as vendas do varejo em julho sinaliza viés baixista para nossas estimativas de consumo das famílias no terceiro trimestre. O banco projeta crescimento de 0,4% do consumo do PIB no trimestre. Para o PIB, espera avanço de 1,9% em 2026.