Brent a US$ 105 detona venda de títulos globais
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A manchete é do britânico "Financial Times": "A onda de vendas de títulos globais se reacende com a alta do petróleo acima de US$ 105", que acrescenta: "Os custos de empréstimos de 30 anos nos EUA atingiram níveis recordes, enquanto a queda na produção de petróleo da Arábia Saudita impulsionou mais a alta dos preços do petróleo".
O "Wall Street Journal", principal jornal econômico dos Estados Unidos acrescenta que "A onda de vendas de títulos públicos amplia a oferta, elevando o rendimento dos títulos de 10 anos acima de 4,9% ao ano". Os rendimentos dispararam para máximos em vários anos, acompanhando a alta dos preços do petróleo devido às crescentes preocupações com a guerra no Irã. As ações caíram". o
Numa primeira reação, que antecipa o que o Federal Reserve Bank possa fazer na sua reunião da próxima quarta-feira, 16 de setembro, o Banco Central Europeu (
investidor cativo BCE) elevou pela segunda vez este ano as taxas de juros com a retomada da alta dos preços da energia, desencadeada pela guerra no Irã, intensificando os problemas de inflação.
Ao elevar sua taxa básica de depósitos de 2,25% para 2,5%, após mantê-la inalterada em sua reunião de julho, o BCE alertou para o "risco de alta" na inflação. A medida era amplamente esperada pelos mercados.
O Brent para entrega em novembro era negociado a US$ 106,82 às 13:05 (horário de Brasília), com alta de 5,50%. Todos os vencimentos até junho de 2028 operam em alta. E a alta de juros do BCE mexeu com os mercados de câmbio. O dólar se fortaleceu frente ao euro, ao iene e ao câmbio suíço, mas, no Brasil, as intervenções do Banco Central no mercado de câmbio fizeram o dólar recuar para R$ 5,1023 às 13:20, baixa de 0,13%.
O mercado financeiro brasileiro aguarda com expectativa a divulgação do IPCA de agosto amanhã pelo IBGE, em relação ao tamanho da deflação. A última Focus previa deflação de e0,23% a 0,26%. Ontem a PicPay elevou a baixa para 0,31%. Isso joga a taxa annual de inflação para menos de 3,8%.
Com a extensão por mais 30 dias da redução dos preços da gasolina nas refinarias da Petrobras, desta vez com corte nos impostos federais, é possível que a inflação de setembro, que o mercado estimava em 0,53%, fique abaixo dos 0,48% de setembro de 2025. Isso daria chance, se as especulações com o El Niño amainarem, de a inflação fechar o ano mais próxima do teto da meta (4,50%) do que dos 5%, esperados pelo mercado.
EUA perdem clientes cativos
Em artigo no "FT", o economista Benn Steil, diretor de economia internacional do Conselho de Relações Exteriores disse que, ao lado do brutal crescimento da dívida pública americana, que passou de US$ 40 trilhões (130% do PIB), a volatilidade dos juros futuros da dívida está ligada à fuga parcial dos bancos centrais – investidores cativos (pela segurança e liquidez) dos títulos do Tesouro americano.
Ele situa o marco da desconfiança na crise financeira mundial de 2008: “Há 19 anos, os bancos centrais, investidores insensíveis aos preços, detinham 76% dos papéis de 30 anos do Tesouro dos Estados Unidos, nível que caiu para 43%”. A mudança da composição dos tomadores do “treasurys” deixou o Tesouro dos EUA mais dependente das decisões de fundos de investimento e investidores especulativos, sensíveis aos preços.
Sauditas tiram apoio ao golfe
Vítima indireta da guerra do golfo Pérsico, embora escoe a maior parte do seu petróleo e gás pelo Mar Vermelho, a Arábia Saudita, que teve algumas refinarias atingidas e era o maior investidor em papéis do Tesouro americano ao lado da China, não apenas reduziu as compras, preferindo se refugiar no ouro, como retirou seu patrocínio à LIV Golf.
Criada para concorrer com a PGA Tour, a liga tinha recebido aporte de US$ 5 bilhões do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita e declarou falência nesta terça-feira. O fim do patrocínio é simbólico. O golfe é o esporte preferido dos magnatas do mundo financeiro que costumam fazer negócios entre uma tacada e outra dos ases do esporte.