Pesquisas e fatos agitam os mercados

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As pesquisas eleitorais, com empate técnico entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, em viés de alta, e os últimos fatos políticos, como o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, pelo ministro relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, afetam as cotações do dólar, ações e juros futuros, depois do feriado de 7 de setembro.

Com o contrato do barril do petróleo tipo Brent para entrega em novembro negociado a US$ 98,15, alta de 1,20% até às 11 horas (horário de Brasília), o que acumula alta de 3,71% em sete dias e de 17,41% em 30 dias, as pressões para a alta nos juros nos Estados Unidos na reunião do Federal Reserve Bank, na semana que vem, se intensificaram. No mercado americano, isso gerou queda de 1,10% no índice Dow Jones e de -0,47% no S&P 500 nesta terça-feira.

No Brasil, após o feriado prolongado, fatos e pesquisas alteraram a percepção dos investidores sobre os ativos. No mundo o dólar tem queda de 0,19% frente ao iene, o euro se mantém estável, com pequeno avanço de 0,03% ante o dólar no dia seguinte à vitória da ultradireita alemã num pleito regional. Já o real é beneficiado pelo ingresso de dólares (de brasileiros no exterior e estrangeiros) e o dólar é negociado a R$ 5,0803 às 11:30, com baixa de 0,80% no dia e de -1,38% em uma semana.

Além do cenário com viés de alta para Flávio Bolsonaro, candidato preferido da Faria Lima, é preciso distinguir o que é movimento especulativo nesta última semana de maior diferencial entre juros nos Estados Unidos (3,50%-3,75%, com a provável alta para 3,75%-4,00%) e o nível atual da Selic (14,00%), que o Copom deve reduzir para 13,75% na reunião de 16 de setembro. Nos dois movimentos, haveria uma perda de 0,50%.

A Focus está ultrapassada?

A velocidade dos fatos até tornam ultrapassada a última pesquisa Focus, encerrada sexta-feira, 4 de setembro, e divulgada hoje, 8 de setembro pelo Banco Central, tal a mudança de cenário. Na Focus, o mercado está prevendo IPCA de 5,00% este ano (5,01% na mediana das respostas dos últimos cinco dias úteis) e de 4,29% em 2027 (4,25% na mediana dos últimos cinco dias úteis).

Para o câmbio, a previsão era de R$ 5,20 em dezembro deste ano e de R$ 5,30 em dezembro de 2027. O mercado prevê que a Selic termine o ano em 13,75%, com a última baixa no ano que vem, e 12% em 2027 (há apostas de apenas 11,00%, caso do Bradesco, a 13,00%, caso da consultoria 4intelligence, com o Itaú prevendo 12,50%).

Em função do rigor monetária, que acirrou as dificuldades no endividamento das empresas do varejo, micro e pequenos empresários e as famílias, as projeções da Focus apontam desaceleração no PIB deste ano (de 1,93% para 1,89% na mediana dos últimos cinco dias) e 1,50% para 2027 (1,52% na mediana dos últimos cinco dias).

Deflação em agosto

A pesquisa Focus confirmou a expectativa do mercado de deflação no IPCA de agosto, que o IBGE divulga na próxima sexta-feira, 11 de setembro. A previsão caiu de -0,21% para -0,23% e a mediana dos últimos cinco dias úteis baixou para -0,26%.

Essa é a previsão do Bradesco. Em agosto de 2025 houve deflação de -0,11%. Caso a previsão se confirme, a taxa de inflação em 12 meses, que estava em 4,24% me julho, cairia para 4,0%. O Itaú espera -0,24%, o que reduziria a taxa anual para 4,10%. Já a consultoria 4intelligence espera deflação de -0,32%, o que baixaria a taxa anual a 3,8%.

É interessante notar que as apostas para a inflação terminal de 2026 (em torno de 5,00%) levam em conta forte aceleração nos quatro últimos meses do ano. No mesmo período do ano passado as taxas foram de 0,48% em setembro; 0,09% em outubro; de 0,18% em novembro e de 0,33% em dezembro. A Focus aponta 0,53% para setembro; 0,33%-0,35% em outubro.

A grande incógnita é outubro (apenas 0,09% no ano passado) e que este ano será impactado pela campanha eleitoral e pelo El Niño, cujas especulações podem afetar os preços dos alimentos no final do ano. Há mais suposições do que fatos.

Além das medianas da Focus, colhidas pelo Banco Central junto a cerca de 150 instituições financeiras, consultorias e institutos de pesquisa, destaco as posições de Bradesco e Itaú, porque um representante do Bradesco, o ex-diretor Tesoureiro, Nilton Davi, dirige a diretoria de Política Monetária do Banco Central, durante muito tempo, até a vinda de Gabriel Galípolo, ocupada por representantes do Itaú. Já na chefia do Departamento de Estudos Macroeconômicos do Itaú está, desde julho, Diogo Guillen, ex-diretor de Política Econômica do BC. As apostas do Bradesco são de meados de agosto) e Itaú, de 31 de agosto: