Cada ponto na Selic custa R$ 68,9 bilhões
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Como antecipei ontem, ao apontar o erro do candidato Flávio Bolsonaro que tinha dito que um ponto de baixa na Selic (que está em 14% ao ano) representaria economia de R$ 90 bilhões em 12 meses, o Banco Central, ao divulgar, hoje, os dados consolidados do setor público de julho, indicou que cada ponto para mais ou para menos na Selic impacta em R$ 68,9 bilhões (R$ 900 milhões a mais que eu previa).
A Pesquisa Focus encerrada sexta-feira e divulgada hoje pelo BC, previu que a Selic feche o ano em 13,75% (com a última redução em 16 de setembro) e em 12% em 2027. O Itaú, que divulgou neste 31 de agosto a atualização de cenário, prevê Selic de 12,50% em 2027. A última previsão do Bradesco, de 7 de agosto, era de 11,00%. Essa diferença de 1,5 ponto pode custar, no mínimo, R$ 104 bilhões.
Em julho, o setor público consolidado teve superávit primário (receitais menos despesas, sem contar os juros da dívida) de R$ 1,4 bilhão, ante déficit de R$ 66,6 bilhões em julho de 2025. Parte do alívio se deveu à quitação do 13º dos aposentados em junho. O déficit do INSS, de R$ 50,474 bilhões em junho, caiu para R$ 22,234 bilhões em julho.
O governo central teve superávit de R$ 11 bilhões e os governos regionais e empresas estatais, déficits respectivos de R$ 8,5 bilhões e R$ 1,1 bilhão. Em 12 meses, o déficit do setor público somou R$ 89,3 bilhões (0,67% do PIB, 0,52 p.p. do PIB inferior ao déficit até junho).
Os juros nominais do setor público consolidado, apropriados por competência, somaram R$ 99,0 bilhões em julho de 2026, (R$ 109,0 bilhões em julho de 2025). A conta melhorou porque o BC teve ganho de R$ 12,4 bilhões nas operações de “swap” cambial em julho, contra perda de R$ 3,3 bilhões em 2025. Em12 meses até julho, os juros nominais somaram R$ 1.150,5 bilhões (8,67% do PIB), contra R$ 941,2 bilhões (7,60% do PIB) nos 12 meses até julho de 2025.
A dívida bruta do setor público atingiu R$ 10,9 trilhões (82,1% do PIB). Descontando a dívida na carteira do Banco Central para o giro diário das operações de “open market”, a dívida líquida era de R$ 9,2 trilhões ou 69,5% do PIB. O mercado previu na Focus que a DBSP termine o ano em 69,9% do PIB e suba a 73,6% do PIB em 2027. O Itaú espera 70,6% para a DLSP este ano e 75% em 2027. A DBSP seria de 83,2% e 87,4%, respectivamente. Já o Bradesco prevê DBSP de 82,9% em 2026 e de 87,4% em 2027. A DLSP ficaria em 69,5% e em 74%, nos dois anos.
Inflação de 2026 abaixo de 5%?
A maior novidade na Focus, na segunda baixa semanal na previsão do IPCA (de 5,02% para 5,01%), foi que a mediana das respostas nos últimos cinco dias úteis apontou 4,98%, a primeira abaixo de 5,0%. A previsão da deflação de agosto aumentou de -0,18% para -0,21% e a mediana dos últimos cinco dias foi a -0,26%. Para setembro, o mercado aposta em 0,52%, mas a mediana dos cinco dias úteis ficou em 0,51%. Para outubro, a taxa ficou estável em 0,33%.
Itaú espera alta do Fed em setembro
A principal novidade da revisão do cenário do Itaú foi a previsão de alta, “em setembro e outubro”, dos “fed funds”, que estão na faixa de 3,50%-3,75% ao ano, em decorrência das falas do presidente do Fed, Kevin Warsh, na reunião de Jackson Hole, na semana passada. O Itaú está prevendo que a taxa feche o ano em 4,13%, nível mantido para 2027. O que justifica a previsão de Selic maior no ano que vem.
Nos mercados de câmbio, o dólar operava em baixa nesta segunda-feira, com queda de 0,20% frente ao iene. Sábado, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, em carta datada de quinta-feira, 27 de agosto, disse que “oscilações desordenadas do iene podem desestabilizar mercados globais”. No Brasil, o dólar era negociado às 11:35 (horário de Brasília) a R$ 5,1835, queda de 0,18%.
O conflito no Oriente Médio voltou a ser o foco das atenções dos investidores nesta manhã, com a retomada dos combates no Estreito de Ormuz elevando os contratos futuros do petróleo Brent acima de US$ 90 por barril. (+5%).