Contas externas resistem a tarifaço de Trump
O Bradesco avaliou em US$ 6,9 bilhões as perdas brutas com o tarifaço de 50% do governo Trump às exportações brasileiras (que vigorou de agosto de 2025 a fevereiro deste ano, quando a Suprema Corte derrubou a medida). Descontando US$ 2,7 bilhões reexportados para terceiros países, as perdas líquidas ficaram em US$ 4,2 bilhões.
Os dados das contas externas de julho, revelados hoje pelo Banco Central, indicam que o estrago combinado com os efeitos da guerra contra o Irã foi ainda maior. O saldo da balança comercial encolheu US$ 16,544 bilhões nos primeiros sete meses deste ano para US$ 43,184 bilhões (US$ 59,728 bilhões de janeiro a julho de 2025).
As despesas financeiras com juros e remessas de lucros também aumentaram US$ 2,522 bilhões no mesmo período, de US$ 35,850 bilhões em 2025 para US$ 38,372 bilhões. Os gastos com serviços também cresceram US$ 2,409 bilhões (de US$ 30,293 bilhões para US$ 32,702 bilhões).
Entretanto, o aumento de US$ 10,701 bilhões no ingresso de investimentos diretos no país (IDP), para US$ 54,446 bilhões, fez o resultado do balanço de pagamentos em conta corrente (balança comercial + serviços + rendas de capital) ter melhora de US$ 3,809 bilhões no período, com o déficit reduzido de US$ 39,783 bilhões para US$ 35,974 bilhões.
Reservas chegam a US$ 369,7 bilhões
No acumulado dos últimos 12 meses até julho, o déficit em transações correntes somou US$ 62,9 bilhões (2,49% do PIB), ante US$ 61,7 bilhões (2,47% do PIB) no mês anterior e US$ 75,9 bilhões (3,51% do PIB) em julho de 2025. As reservas internacionais chegaram a US$ 369,7 bilhões em julho de 2026, aumento de US$2,2 bilhões frente a junho.
Viagens lideram gastos em serviços
As contas de serviços pioraram em viagens (com déficit acumulado de US$ 8,531 bilhões, aumento de US$ 1,842 bilhão sobre o mesmo período de 2025). Os gastos em serviços de propriedade intelectual cresceram US$ 948 milhões, somando US$ 7,222 bilhões. As despesas com TI e IA cresceram US$ 881 milhões, somando US$ 6,176 bilhões e os gastos com aluguel de equipamentos aumentaram apenas US$ 495 milhões, com a segunda maior despesa no ano: US$ 7,610 bilhões.
Mercado de trabalho forte
Outro dado que mostra a robustez da economia brasileira foi o índice de apenas 5,3% na taxa de desocupação da PNAD Contínua do IBGE no trimestre maio-junho-julho. Para o Itaú, os dados dessazonalizados apontam 5,5% de desocupação, com estabilidade, resultado da combinação benigna de aumento do emprego (+0,2% na variação mensal, com ajuste sazonal) e expansão da força de trabalho (+0,2%_
A taxa de participação avançou 0,1p.p. para 62,2%, combinando o aumento da força de trabalho com a expansão da população em idade ativa (+0,1% na comparação mensal com ajuste sazonal). A população ocupada cresceu nos setores formal e informal (+0,1% e +0,3%, respectivamente), alcançando 103,3 milhões.
A massa salarial real efetiva avançou 0,5%, com a expansão do emprego associada ao aumento do rendimento médio (+0,5% na variação mensal, com ajuste sazonal).
Para o Itaú, “o aumento do emprego formal quanto do informal foi compensado pela alta na taxa de participação. O principal destaque foi a aceleração do crescimento do rendimento efetivo real, que veio acima das nossas expectativas. Os dados sugerem que, embora o mercado de trabalho pareça estar estabilizando, continua apertado.
Amanhã, o Itaú espera que o setor formal, medido pelo Caged, gere 110 mil empregos formais, com uma leve desaceleração da série com ajuste sazonal para 75 mil, ante 80 mil. Olhando à frente, esperamos que o mercado de trabalho se estabilize sem uma deterioração acentuada, com a taxa de desemprego atingindo 5,7% ao final do ano.