‘WSJ": mercado não confia em Bessent
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O “Wall Street Journal”, principal jornal econômico dos Estados Unidos, assim com o britânico “Financial Times”, não acredita que o mercado financeiro vá reagir bem ao plano do Secretário do Tesouro, Scott Bessent, de dobrar as recompras de “treasury’s bills” para US$ 4 bilhões por operação para tentar reduzir o nível de juros de longo prazo.
O “FT”, ao abordar as dificuldades do plano Bessent (nesta terça-feira, o dólar cai ante as principais moedas e era negociado no Brasil a R$ 5,1467, às 11:52 (horário de Brasília), com queda de 0,11%, foi mais direto na manchete: “Mandar no mercado de títulos nunca funciona”, explicando que, “Apesar dos esforços de Scott Bessent, os investidores temem que algo esteja acontecendo”.
A volatilidade dos fundos de “hedge” mostra uma crise que está preocupando as autoridades reguladoras dos Estados Unidos. Segundo o “WSJ”, Órgãos reguladores investigam o quase colapso da percepção situacional dos fundos de “hedge”. A SEC, o “xerife” do mercado de capitais, solicitou informações aos bancos que forneceram financiamento para impulsionar as apostas do fundo centradas em IA. O mercado vê com desconfiança os planos da Nvidia de financiar projetos de IA de várias empresas.
Mas o pano de fundo é a dificuldade das autoridades monetárias de administrarem expectativas. O seminário de Jackson Hole, de quinta a sábado no Wyoming, conseguirá trazer respostas?
Druckenmiller põe o dedo na ferida
Ao fazer a chamada para o artigo do mentor de Bessent, o “WSJ” diz que “o veterano gestor de fundos de hedge, Stanley Druckenmiller, repreendeu duramente seu protegido de longa data, o secretário do Tesouro Scott Bessent, por seus planos de intervir no mercado de títulos do governo para reduzir as taxas de juros”.
Gastar US$ 4 bilhões ou mais para recomprar títulos do Tesouro de longo prazo é um "erro" que não abordará as razões fundamentais por trás do aumento dos custos de empréstimo do governo dos EUA, escreveu Druckenmiller em artigo contundente no “Wall Street Journal”.
Com o título “Deixe o mercado de títulos falar”, o “mentor” de Bessent o repreendeu, advertindo: “o aumento das taxas de juros é um sinal de problemas futuros. Suprimi-las artificialmente aumenta o perigo”. Vejam um trecho do artigo.
“O Departamento do Tesouro anunciou em 19 de agosto que dobraria o valor de suas recompras de títulos de longo prazo, de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação, com foco no segmento de 10 a 30 anos e válida de 9 de setembro a 4 de novembro. O anúncio veio depois que o rendimento dos títulos de 30 anos atingiu a maior cotação em 19 anos. Os rendimentos caíram em questão de minutos”.
“Na tarde seguinte, já haviam retornado a níveis superiores aos iniciais. O veredicto do mercado foi rápido e correto: não se tratava de gestão de liquidez, mas sim de gestão de preços — e um erro muito maior do que os US$ 4 bilhões sugerem”, criticou.
“O anúncio do Tesouro revelou o jogo. Justificou as operações maiores como apoio à liquidez em setores com “forte apoio consistente dos participantes do mercado”, mas forte apoio é a definição de um mercado saudável e em funcionamento”.
“Não houve leilões fracassados, nem apreensão de balanços de corretoras, nem desfazimentos forçados, nada que se assemelhasse aos títulos do Tesouro em março de 2020 ou aos títulos do governo britânico em setembro de 2022, o tipo de episódio disfuncional genuíno que justifica uma ação oficial. A volatilidade foi controlada e a negociação ocorreu de forma ordenada — não uma falha, mas sim o funcionamento normal do sistema”, observou Druckenmiller.
Se nos EUA é difícil domar o mercado, imagine no Brasil.