Brasil perdeu US$ 4,2 bilhões com tarifaços
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A economista Paula Magalhães, da Pesquisa Econômica do Bradesco, avaliou o tarifaço do governo Trump às exportações brasileiras, apoiado pelo clã Bolsonaro e pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e concluiu que a medida custou US$ 6,9 bilhões em perdas brutas ao Brasil. Entretanto, como o US$ 2,7 bilhões foram desviados para outros mercados, a perda liquida ficou em US$ 4,2 bilhões, for a os prejuízos e empregos na demanda de insumos e nas diversas cadeias produtivas. As exportações totais no ano passado superaram os US$ 348 bilhões. Vejam o estudo:
"Desde o início de 2025, os Estados Unidos estabeleceram uma série de tarifas a produtos exportados pelo Brasil. Dentre os itens que o país exporta, a maioria deles foi taxada em 10% com o "Liberation Day", chegando ao pico de 50% com as medidas específicas ao país. Já 140 produtos, em sua maioria derivados de petróleo, nunca foram tarifados. Embora as exportações totais do Brasil tenham subido 3,3% em 2025, seja pela busca de novos destinos, seja pela triangulação de exportações até os EUA, não podemos excluir a hipótese de perdas setoriais", diz Paula Magalhães.
Ela utilizou os métodos mais modernos de estimação de exportação por item da Classificação Uniforme para o Comércio Internacional (CUCI) para verificar essa hipótese. Sobretaxas globais impactaram as exportações brasileiras. É o caso do uso da Seção 232 do "Trade Act" sobre produtos de aço e alumínio, automotivos, cobre e madeira ao longo de 2025 e as medidas do "Liberation Day". Em seguida, o uso do IEEPA ("International Emergency Economic Powers Act") para sobretaxa de 40%, especificamente sobre o Brasil em agosto de 2025, foi substancialmente danoso.
Mas observa que "houve duas reversões: em novembro de 2025 sobre produtos alimentícios e a decisão da Suprema Corte de fevereiro deste ano que derrubou todas as tarifas que utilizavam o IEEPA. No total, são nove eventos de taxação e reversão, que serão examinados. A tabela abaixo exemplifica os diferentes regimes de taxação por grupos de produtos: os derivados de aço e alumínio chegaram à tarifa máxima de 100% ao longo do tempo, enquanto petróleo e produtos derivados nunca foram taxados.
"Nosso resultado indica um beta igual a -0,81 (estatística t = -5,15) para a estimação acima. Isso significa que, em média, uma tarifa de 50% reduz em aproximadamente 28% as exportações aos EUA. O coeficiente de valor é maior que o coeficiente de quantidade (beta de -1,081, com estatística t de -3,34), o que indica que a quantidade exportada caiu mais que o valor. Assim, o exportador brasileiro fez um repasse parcial do valor das tarifas. Ambos os coeficientes são estatisticamente significantes a 1%.
Sujeito a uma tarifa média de 45,3%, o setor de semiacabados de aço perdeu mais volume (perdas brutas estimadas em US$ 1,480 bilhão, ou 34,9% do total exportado aos EUA), mas o setor de artefatos de metal foi o mais afetado, com perdas de 48,2%. Alumínio foi impactado em 37,6%, já ferro gusa e ferroligas foi afetado em 35,2%.
A perda bruta total do Brasil foi de US$ 6,9 bilhões. Não surpreende que os setores com tarifas globais (que tendem a ser maiores e implantadas no início de 2025), como ferro e aço, perderam mais. O gráfico de dispersão nos permite notar que há um acúmulo de tarifa média de 26% no período tarifado e uma perda bruta média setorial de US$ 100 milhões”.
“Mas a perda líquida total do país depende do ganho de novos mercados. A perda bruta estima apenas o que não foi exportado aos EUA. Estimamos novamente a equação (1), mas sem os índices de evento e destino; isso captura o beta sobre a exportação total do item (-0,512, estatística t de -2,36), ou seja, quanto o Brasil deixou de exportar no total, descontado o que foi redirecionado. Isso nos indica a perda líquida do setor no período em que houve taxação”.
Nos cálculos, do Bradesco, a perda líquida foi de US$ 4,2 bilhões. “Sendo assim, US$ 2,7 bilhões foram redirecionados dos Estados Unidos para outros destinos, mas cerca de quatro bilhões de dólares tornaram-se perda acumulada dos setores. Em resumo, embora nossas exportações em 2025 e em 2026 tenham superado expectativas, não podemos afirmar que a política americana tenha deixado o país ileso.”, diz Paula Magalhães.
Mas ela não observou “impacto macroeconômico, pois a perda líquida para o país é relativamente pequena (já que nossas exportações superaram US$ 348 bilhões em 2025). Por outro lado, os impactos setoriais podem ser relevantes, se levarmos em conta o percentual exportado aos EUA no período pré-tarifas (2024)”. Diante do novo tarifaço deste ano, é importante diversificar as exportações. Sobretudo para a Ásia.