EUA dobra recompra de títulos de longo prazo
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A pressão recente sobre o mercado de crédito público e privado, com desconfianças sobre a capacidade do Tesouro americano de honrar seus compromissos, o que levou países soberanos a reduzir posições em papéis de longo prazo do Tesouro dos Estados Unidos, fez o Departamento do Tesouro dos EUA anunciar que dobrará o valor da recompra da dívida do governo americano de longo prazo.
A decisão ocorre após forte venda que fez os custos de empréstimos dispararem para níveis mais altos. A agência anunciou que está "aumentando, pelo menos em dobro, o tamanho das operações de recompra de suporte à liquidez" para títulos com vencimento em 10 a 20 anos, e de 20 a 30 anos. O programa de recompra foi anunciado ano passado pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent.
Agora, segundo o “Financial Times”, as recompras de US$ 2 bilhões seriam aumentadas para "pelo menos" US$ 4 bilhões. O anúncio na manhã desta quarta-feira (19) provocou uma forte alta na dívida americana de longo prazo, fazendo com que o rendimento do título de 30 anos caísse 0,09 pontos percentuais, para 5,2%. O rendimento da dívida a 10 anos, referência para trilhões de dólares em ativos em todo o mundo, caiu 0,07 ponto percentual, para 4,64%.
Dólar cai e petróleo passa de US$ 92
O efeito da medida, que expôs a fragilidade do financiamento dos déficits fiscais americanos, bancados por capitais internacionais, foi uma baixa dos juros de longo prazo, mas com alta do barril do petróleo do tipo Brent, negociado a US$ 92,48 (+1,60%) e forte desvalorização do dólar ante as principais moedas.
O euro registrava alta de 0,81% contra o dólar, que caía 0,74% diante do iene e perdia 1,60% frente ao franco suíço. A queda se estendia às moedas de países emergentes: o dólar australiano subia 0,51%, a moeda americana perdia 0,60% ante o dólar canadense e estava em baixa de 0,58% frente ao peso mexicano. O real tinha das maiores valorizações do dia + 1,16%, com o dólar cotado a R$ 5,1653 às 13h25 (horário de Brasília).
A decisão de impulsionar as recompras ocorre em um momento de tensões crescentes no mercado de títulos mais importante do mundo, enquanto os investidores se preocupam com a explosão de inflação provocada pela guerra de Donald Trump no Irã e pelo crescente peso da dívida pública dos EUA. Investidores e economistas também se preocupam que a enorme onda de endividamentos das empresas de tecnologia para impulsionar o boom da IA esteja afastando os investimentos em títulos do governo dos EUA.
"A administração está ficando nervosa com o lado longo da curva e quer tentar conter a queda", disse Daniel Murray, vice-diretor de investimentos da EFG International. Robert Tipp, estrategista-chefe de investimentos da PGIM, acrescentou que a iniciativa de impulsionar as recompras foi "um sinal importante para o mercado de que o Tesouro está preocupado com a venda final da curva de juros".
O rendimento de 30 anos atingiu quase 5,34% nessa terça-feira, o maior nível desde 2007, em um salto que também ricocheteou ao redor do mundo. Um leilão de dívida de 30 anos na semana passada também viu investidores comprarem títulos do governo pelo maior rendimento desde 2001.
O Tesouro afirmou que a medida reflete um "desejo de fornecer maior suporte de liquidez" ao longo da curva de juros do mercado de dívidas de US$ 30 bilhões. Os participantes do mercado esperavam que a agência financiasse as recompras emitindo mais dívidas de curto prazo.