FMI elogia Brasil, mas vê inflação de 5,6% em 2026
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O Conselho Executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou ontem à noite a Consulta do Artigo IV para o Brasil na qual elogiou a “notável resiliência da economia brasileira a choques externos” mas, previu que a inflação “aumente temporariamente em 2026, refletindo os altos preços globais do petróleo” e “deve atingir 5,6% até o final de 2026, antes de convergir gradualmente para a meta de 3% até meados de 2028”.
O FMI prevê ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 2,4% este ano e “alcance 2,5% no médio prazo apoiado por fatores estruturais, para aumento da eficiência aprovada em 2023, como a Reforma Tributária do IVA, que entra em vigor em 2027, e a aceleração da produção de hidrocarbonetos”.
As últimas projeções do mercado na pesquisa Focus são de IPCA de 5,16% em 2026 (4,20% em 2027) e crescimento do PIB de 2,0% este ano e de 2,7% em 2027.
'Notável resiliência'
Para o FMI, “a economia brasileira demonstrou notável resiliência nos últimos anos, apesar de uma série de choques, incluindo as tensões comerciais globais. Essa resiliência está sendo testada novamente pelas consequências econômicas da guerra no Oriente Médio”. O relatório destaca que o Brasil desfruta de “status” especial “como exportador líquido de petróleo e alta participação de eletricidade proveniente de fontes renováveis”.
O crescimento moderou em 2025 em meio a uma política monetária restritiva e à retirada gradual do apoio fiscal, reduzindo o hiato do produto positivo que, juntamente com a forte valorização da moeda, sustentou a desinflação.
As expectativas de inflação de médio prazo permanecem acima da meta. O Banco Central do Brasil anunciou três cortes de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros no primeiro semestre de 2026, após mantê-la inalterada desde meados de 2025, mas sinalizou maior cautela em relação a futuros cortes devido aos riscos de inflação crescente.
Desafios fiscais
O relatório destaca que “enquanto isso, importantes desafios fiscais e estruturais persistem, incluindo a dívida pública elevada e crescente e o baixo crescimento da produtividade. E sublinha o desafio das eleições gerais, que serão realizadas em outubro de 2026.
Por isso, diante dos desafios inflacionários e fiscais, considera que “os cortes de juros têm sido consistentes com o bem estabelecido quadro de metas de inflação do Brasil. Manter a flexibilidade nos próximos passos é apropriado, considerando a alta incerteza global e a inflação, com pressões dos preços globais da energia”.
O Fundo apoiou a estratégia de “colocar a dívida pública em um caminho firmemente descendente e abrir espaço para investimentos prioritários, economizar receitas extraordinárias relacionadas ao petróleo e implementar um esforço fiscal mais ambicioso são justificados, enquanto protege os gastos sociais direcionados”
Sistema financeiro e Pix
O Programa de Avaliação do Setor Financeiro (FSAP) de 2026 constatou que “o setor financeiro permanece resiliente com os riscos sistêmicos contidos”. Para os técnicos do FMI, “o sistema financeiro brasileiro passou por mudanças significativas desde o Plano de Ação Financeira Internacional (PAFI) de 2018. Embora o sistema continue dominado por bancos, com dois dos seis maiores bancos sendo estatais, as mudanças impulsionadas pela tecnologia trouxeram novos participantes digitais e uma concorrência mais acirrada nos serviços bancários.
Os mercados financeiros cresceram significativamente, com forte expansão nos mercados de títulos corporativos e derivativos, e um mercado de crédito estruturado nascente, porém em rápido crescimento, juntamente com a intensificação das negociações no varejo.
Os serviços de pagamento foram revolucionados pelo sistema Pix, e a atividade no mercado de criptomoedas está crescendo. O endividamento de famílias e empresas aumentou, apesar dos elevados custos de empréstimo.