EUA têm menor fatia no comércio com Brasil

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As exportações brasileiras para o mercado norte-americano recuaram 13,0%, para US$ 17,4 bilhões, enquanto as importações caíram 12,5%, totalizando US$ 19 bilhões

Com uma queda de 12,8% em relação ao primeiro semestre do ano passado, o comércio entre Brasil e Estados Unidos somou US$ 36,4 bilhões, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu a apenas 9,4%. Esta é a menor fatia da participação americana no comércio com o Brasil desde 1997.

A informação é do “Monitor do Comércio Brasil–EUA” da Amcham, seção São Paulo. A entidade participou segunda-feira, 6 de julho, da Audiência da Seção 301, realizada em Washington, pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A Amcham defendeu que o diálogo e a negociação bilateral são o caminho mais eficaz para tratar das preocupações levantadas pelo governo americano e destacou as consequências negativas das tarifas para a economia dos Estados Unidos.

Queda dos dois lados da balança
No volume negociado entre Brasil e Estados Unidos no primeiro semestre de 2026, os dois lados da balança saíram perdendo. As exportações brasileiras para o mercado norte-americano recuaram 13,0%, para US$ 17,4 bilhões, enquanto as importações caíram 12,5%, totalizando US$ 19 bilhões.

Na corrente de comércio brasileira, a participação americana também atingiu o menor nível da série, com 11,1%. Apesar da retração, os Estados Unidos permanecem como o segundo principal parceiro comercial do Brasil em bens e maior destino das exportações industriais.

O desempenho contrasta com o crescimento das exportações brasileiras para o mundo (+11,5%) e para parceiros relevantes, como China (+21,9%) e União Europeia (+12,8%) no primeiro semestre de 2026.

“O primeiro semestre confirma que o comércio bilateral atravessa um período de forte pressão e reforça a necessidade de um acordo que evite a aplicação de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301. Caso sejam implementadas, as sobretaxas poderão comprometer ainda mais as trocas entre Brasil e Estados Unidos”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

A análise da Amcham mostra que os bens submetidos às sobretaxas responderam pela maior parte da retração das exportações brasileiras no semestre. Enquanto as vendas de produtos sobretaxados caíram 16,6%, as exportações de bens sem sobretaxa recuaram 8,7%, quase a metade.

Entre os produtos sujeitos às tarifas adicionais, os itens enquadrados na tarifa de 10% registraram queda de 25,9%, enquanto os produtos abrangidos pela Seção 232 recuaram 6,7%. Os maiores impactos ocorreram em produtos como semiacabados de ferro e aço (-21,7%), caminhões (-46,7%), madeira (-40,5%) e cobre (-37,4%).

Desde a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, em fevereiro, que revogou as tarifas adicionais aplicadas com base no IEEPA, o universo de produtos brasileiros isentos de sobretaxas aumentou de 382 para 1.488 itens. Ainda assim, permanecem em vigor tarifas adicionais de 10% (Seção 122) e de até 50% para produtos enquadrados na Seção 232, mantendo elevada a pressão sobre parte relevante da pauta exportadora brasileira.

Melhoria em junho
Apesar do resultado negativo do semestre, junho apresentou um sinal de melhora. As exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 3,7% em valor na comparação com junho de 2025, interrompendo uma sequência de dez meses consecutivos de queda. Mas as sanções em tela podem jogar por terra a recente melhoria.

O avanço foi sustentado principalmente pelos produtos sem sobretaxa, que cresceram 35,8%, impulsionados por aeronaves (+299,4%) e óleos combustíveis de petróleo (+89,3%). Já os bens sobretaxados continuaram em retração, com queda de 17,0% no mês.

Bens industriais caem US$ 1,4 bi
O impacto foi particularmente intenso sobre os produtos industriais. Na comparação entre os primeiros semestres de 2026 e 2025, as exportações do setor para os Estados Unidos caíram de US$ 16,0 bilhões para US$ 14,6 bilhões, US$ 1,4 bilhão a menos.

Mesmo com a retração, a indústria de transformação permaneceu como o principal componente das exportações brasileiras para os EUA, respondendo por 83,9% das vendas ao mercado americano. Alguns dos principais produtos exportados no semestre no setor com alta nas vendas estão aeronaves (+32,9%), equipamentos de engenharia civil (+23,8%) e máquinas de energia elétrica (+16,0%).

Em contrapartida, produtos como petróleo bruto (-30,4%), café não torrado (-34,8%), produtos semiacabados de ferro e aço (-21,7%) e celulose (-9,4%) registraram quedas expressivas.