Emprego cai nos EUA e ajuda o Brasil
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Juracy Magalhães ficou queimado como entreguista, quando disse, em 1964, quando era chanceler, que “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. Na verdade, a declaração parodiava fala do presidente da General Motors, Charles Wilson, nos anos 50.
Nomeado secretário de Defesa pelo presidente Eisenhower, Wilson afirmou que “o que é bom para a GM é bom para os Estados Unidos e vice-versa”, lembrando que a companhia, durante a segunda guerra, converteu linhas de montagens de automóveis para produzir artefatos para o esforço de guerra.
Agora, uma má notícia nos EUA – a criação de apenas 57 mil empregos em junho, praticamente metade dos 110 mil previstos pelos economistas do mercado, com quedas nas revisões dos dados de abril e maio – foi comemorada como uma boa notícia em todo o mundo, com alta das bolsas e valorização das moedas ante o dólar.
Os sintomas de fraqueza da economia americana sinalizam para o Federal Open Market Committee (FOMC), o órgão deliberativo do Banco Central dos Estados Unidos, uma mudança de estratégia. O duplo mandato do Fed pede o controle da inflação e a manutenção do pleno emprego.
Passada a escalada do petróleo devido à guerra do Golfo Pérsico (hoje o barril do Brent para entrega em setembro era negociado em queda de 1,31% a US$ 70,68, com baixa de 35% em três meses), a questão não seria aumentar os juros para deter a inflação, mas afrouxar os controles monetários para a economia não esfriar.
Apostas invertidas
Isso jogou água na fervura dos que apostavam na alta dos juros nos Estados Unidos (se não na reunião de 5 de agosto, em 16 de setembro ou 4 de novembro). Nos mesmos dias o Copom se reúne no Brasil, agora com janela de oportunidade para a baixa de 0,25% na Selic, para 14,00% não ser a última do ano, como previam os economistas dos bancos. O efeito imediato foi a queda dos juros futuros.
Ao meio-dia (horário de Brasília), o euro subia 0,58% e a libra esterlina, 0,62% ante o dólar, que caía 1,00% frente ao iene e -0,98% diante do franco suíço. As moedas emergentes também reagiram: o dólar australiano subia 0,58$, o dólar caía 0,22% diante da moeda do Canadá e 0,45% ante o peso mexicano.
Em relação ao real, às 12:25, o dólar era negociado a R$ 5,1967, com queda de 0,22%. Em uma semana o dólar sobe 0,37% e acumula alta de 3,82% em 30 dias.
Gasolina pode conter a inflação
A queda do dólar e a estabilidade do barril na faixa dos US$ 70 pode induzir a Petrobras a anunciar esta semana a queda da gasolina nas refinarias já aventada esta semana pela presidente Magda Chambriard.
A reversão dos preços do barril (que chegaram a US$ 118 em março e abril) já permitiu à Petrobras eliminar esta semana o desconto que oferecia às distribuidoras como parte de seu esforço para evitar uma escalada doméstica dos preços do diesel (e demais derivados), uma vez que utiliza mais de 70% de carga de petróleo do pré-sal em suas refinarias. Como o óleo do pré-sal é extraído a US$ 22, incluindo fretes e impostos, havia margem. O subsídio do Tesouro Nacional ao diesel foi extinto em 1º de julho.
A redução do preço da gasolina teria efeito simbólico nas expectativas da inflação. A gasolina tem o maior peso no cálculo do IPCA entre os 377 itens pesquisados mensalmente pelo IBGE. Se a gasolina sobe, disparam os preços dos serviços, mas o elevador não desce no sentido inverso quando há baixa. Mas a estabilidade já ajuda.